Trump acusa Meloni de não apoiar a guerra: 'Estou chocado' e renova ataques ao Papa e ao Irã

Trump acusa Meloni de não apoiar a guerra, ataca o Papa e o Irã; tensão expõe fraturas na cooperação transatlântica e nas prioridades italianas.

Trump acusa Meloni de não apoiar a guerra: 'Estou chocado' e renova ataques ao Papa e ao Irã

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Trump acusa Meloni de não apoiar a guerra: 'Estou chocado' e renova ataques ao Papa e ao Irã

Por Marco Severini — Em novo capítulo de tensão entre Washington e Roma, Donald Trump disparou críticas à primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, declarando-se “chocado” por ela não querer “ajudar-nos na guerra”. Em entrevista telefônica ao Corriere della Sera, o presidente dos Estados Unidos questionou a sensibilidade italiana às escolhas da líder italiana: “Acha bom que a vossa presidente não esteja fazendo nada para obter o petróleo? Acha que isso agrada ao povo? Não posso imaginá-lo”, afirmou.

Na fala, Trump reiterou sua exigência anterior para que países aliados europeus enviassem navios de varredura de minas ao Estreito de Hormuz, e acusou que muitos relutam porque a OTAN seria “uma tigre de papel”. O presidente também disse não manter conversas com Meloni “há muito tempo”.

O confronto escalou quando o presidente norte-americano respondeu às palavras da chefe do governo italiano sobre seu ataque ao Papa. Depois que Meloni definiu como “inaceitáveis” os ataques de Trump ao Pontífice, o presidente replicou: “É ela que é inaceitável, porque não lhe importa se o Irã tem uma arma nuclear e faria explodir a Itália em dois minutos se tivesse a possibilidade”. Em tom ainda mais duro, insistiu que o Papa “não tem ideia do que está a acontecer no Irã” e acrescentou que no país teriam sido mortos “42 mil manifestantes no último mês”.

No lado italiano do tabuleiro, Giorgia Meloni respondeu em ponto de imprensa durante o Vinitaly, em Verona. Ela defendeu que a publicação inicial do governo — um post das 8h30 — já era “um sinal claro”, e que depois foram usadas palavras “mais claras”. Com ironia, comentou sobre acusações de “sudditanza” e reafirmou considerar “inaceitável” o ataque ao Pontífice. “Francamente, eu não me sentiria confortável numa sociedade em que os líderes religiosos façam o que dizem os líderes políticos. Não nesta parte do mundo”, concluiu.

Como analista de relações internacionais, é preciso ler estes episódios não apenas como trocas de acusações pessoais, mas como movimentos num tabuleiro mais amplo. O embate entre Trump e Meloni revela fraturas potenciais na cooperação transatlântica: a disputa sobre o papel da OTAN, os interesses energéticos no Estreito de Hormuz e a sensibilidade sobre a autoridade moral do Papa compõem um mosaico onde cada peça altera a geometria das alianças.

Não se trata só de provocação retórica; são sinais de tectônica de poder que podem redesenhar fronteiras invisíveis entre política externa e opinião pública doméstica. Para Roma, o equilíbrio exigido é delicado: preservar laços históricos com Washington sem desconsiderar as autonomias políticas internas e o papel singular do Vaticano no mapa italiano. Para Washington, a pressão por alinhamento operacional com vistas à segurança energética e marítima encontra limites políticos que não se resolvem apenas por ordens telegráficas.

O episódio exige, portanto, uma resposta de estado: menos ruído espetáculo e mais diplomacia de alicerces sólidos — onde cada movimento seja calculado como em um jogo de xadrez de alto nível, evitando rupturas que possam comprometer a estabilidade do tabuleiro europeu e mediterrâneo.