Trump confirma contatos diretos com o Irã e diz “não temos pressa”; Teerã recorre à Corte de Haia
Trump diz haver contatos diretos com o Irã e não tem pressa; Teerã recorre à Corte de Haia enquanto tensões e opções militares aumentam.
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Trump confirma contatos diretos com o Irã e diz “não temos pressa”; Teerã recorre à Corte de Haia
Por Marco Severini — Em mais um capítulo da tensão entre Washington e Teerã, o presidente Donald Trump afirmou que estão em curso contatos diretos com autoridades iranianas, ao mesmo tempo em que deixou claro que a Casa Branca “não tem pressa” para fechar um acordo. A declaração ocorre num momento em que os alicerces da diplomacia parecem frágeis e o cessar‑fogo bilateral é descrito como “pendurado por um fio”.
Fontes citadas pela CNN indicam que a crescente frustração de Trump com a condução das negociações por parte do Irã tem alimentado no entorno da Presidência a hipótese de retomar operações militares em resposta ao que o governo americano classifica como uma resposta iraniana de “lixo inaceitável” às propostas dos EUA. A dinâmica é a de um tabuleiro em que o movimento decisivo ainda não foi feito, mas as peças já se posicionam para um confronto de média intensidade.
Do lado militar, oficiais do Pentágono têm sinalizado que apenas um endurecimento da pressão — combinado com ataques cirúrgicos — poderia empurrar Teerã a ceder. O próprio Pentágono contabiliza até agora um custo de 29 bilhões de dólares para a campanha em curso contra o Irã, segundo as mesmas fontes. Em paralelo, interna corporis, segmentos da administração americana continuam a insistir numa solução negociada, pedindo inclusive que os mediadores paquistaneses adotem postura mais direta e contundente nas comunicações com Teerã.
Do outro lado do mapa, o Irã não recua. O presidente do Parlamento, Mohammad‑Bagher Ghalibaf, advertiu que as forças iranianas estão prontas a “dar uma lição” em caso de agressão e que qualquer estratégia que ignore os direitos delineados na proposta iraniana de 14 pontos está condenada ao fracasso. A movimentação diplomática de Teerã incluiu ainda uma queixa formal contra os Estados Unidos no Tribunal de Arbitragem da Haia, sinalizando a simultaneidade de caminhos jurídicos e militares na sua resposta.
Em tom direto — e estratégico — Trump repetiu em entrevista que os Estados Unidos já teriam “destruído” capacidades navais e aéreas do Irã em confrontos anteriores e ressaltou a lógica que guia sua política: um bloqueio econômico que, nas palavras do presidente, impede o fluxo de recursos iranianos. “Não podemos permitir que tenham uma arma nuclear porque a usariam e seria uma tragédia inimaginável”, disse o mandatário, reiterando a linha vermelha americana.
Assim, o cenário que se desenha é o de uma tectônica de poder em movimento: sinais de diálogo coexistem com manobras de pressão, enquanto diplomacia, ações militares pontuais e procedimentos jurídicos internacionais surgem como facetas de uma mesma estratégia para forçar uma reconfiguração do equilíbrio regional. A pergunta que permanece no tabuleiro é se prevalecerá a cautela diplomática, capaz de reconstruir alicerces frágeis, ou se a escalada se tornará um movimento definitivo com custos imprevisíveis para a estabilidade global.