Trump ataca o Papa Leão XIV: 'Deveria calar-se sobre a guerra no Irã'

Trump critica o Papa Leão XIV sobre a guerra no Irã; Vaticano responde com apelo à paz e multilateralismo. Confronto marca novo capítulo nas relações EUA-Vaticano.

Trump ataca o Papa Leão XIV: 'Deveria calar-se sobre a guerra no Irã'

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Trump ataca o Papa Leão XIV: 'Deveria calar-se sobre a guerra no Irã'

Donald Trump renovou nesta terça-feira sua crítica ao Papa Leão XIV, afirmando que o Pontífice deveria permanecer em silêncio sobre a guerra no Irã. Em entrevista ao Corriere della Sera, o presidente norte-americano declarou que o Papa 'não entende e não deveria falar de guerra, porque não tem ideia do que está acontecendo'.

Na mesma fala, Trump reiterou alegações contundentes: disse que, no Irã, teriam sido mortos '42 mil manifestantes no mês passado' e insistiu na narrativa de que o país representa uma 'ameaça nuclear'. O novo ataque verbal ao Pontífice ocorre a apenas 24 horas de um primeiro confronto em que o presidente chegou a qualificar o Papa como 'fraco' e 'péssimo em política externa'.

O episódio faz parte de uma sequência de comunicações públicas de Trump — inclusive via sua rede social Truth — nas quais o presidente rejeita críticas ao uso de força ou à sua agenda internacional. Em uma das publicações, ele afirmou não desejar 'um Papa que ache terrível que a América atacou a Venezuela', país que, segundo ele, estaria enviando enormes quantidades de drogas aos Estados Unidos e até 'esvaziando suas prisões, incluindo assassinos, traficantes e criminosos' para dentro do território americano. Trump invocou ainda os resultados que atribui a seu governo: reduzir o crime 'a níveis nunca vistos' e impulsionar 'o maior mercado acionário da história'.

Do outro lado do tabuleiro, veio a resposta do Papa Leão XIV. Interpelado ontem por jornalistas durante o voo papal rumo a Argel, o Pontífice foi firme: 'Não tenho medo da administração Trump. Eu falo do Evangelho. Não sou um político. Não tenho intenção de fazer um debate com ele. A mensagem é sempre a mesma: a paz'.

Leão XIV acrescentou que seu discurso visa todos os líderes mundiais, com objetivo de 'terminar esta guerra'. 'Não penso que a mensagem do Evangelho deva ser abusada como alguns estão fazendo', disse o Papa, enfatizando um papel moral e pastoral — não partidarizado — frente a conflitos que consomem vidas civis.

Em seguida, o Pontífice detalhou sua linha de atuação: 'Continuo a falar alto contra a guerra, promovendo a paz, incentivando o diálogo e o multilateralismo entre Estados para buscar soluções'. 'Muita gente sofre hoje, muitos inocentes foram mortos, e acredito que alguém deva erguer a voz e dizer que existe um caminho melhor', concluiu.

O contraste entre as declarações traduz uma movimentação estratégica no tabuleiro diplomático. De um lado, a Casa Branca que pretende projetar autoridade e segurança interna como base de sua política externa; do outro, o Vaticano que invoca princípios morais universais e o apelo ao direito humanitário. São movimentos que não apenas repercutem em capitais tradicionais, mas realinham influências e percepções em regiões sensíveis, colocando em evidência os alicerces frágeis da diplomacia contemporânea.

Enquanto isso, atores regionais e aliados observam o desenrolar deste embate retórico como indicadores do que poderá ser o próximo passo nas mesas de negociação: um redesenho sutil de fronteiras de influência, onde a retórica moral e a força geopolítica se medem em partidas de xadrez de alto risco.