Trump ataca Papa Leone XIV e agrava tensão entre Vaticano e Casa Branca

Trump ataca Papa Leone XIV por 'fraqueza' e política externa; Vaticano responde com apelo à paz e rejeição ao confronto político.

Trump ataca Papa Leone XIV e agrava tensão entre Vaticano e Casa Branca

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Trump ataca Papa Leone XIV e agrava tensão entre Vaticano e Casa Branca

Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, com força ritualística, as linhas de atrito entre Roma e Washington, Donald Trump lançou um severo ataque público contra o Papa Leone XIV em uma longa publicação na rede Truth. O ex-presidente acusou o Pontífice de ser “fraco” em matéria de criminalidade e “péssimo em política externa”, numa investida que amplia a já delicada tensão entre o Vaticano e a Casa Branca sobretudo em torno da atual política internacional e dos desdobramentos da guerra em várias frentes.

O episódio desencadeou uma resposta clara e serena de Papa Leone XIV, que durante o voo papal rumo a Argel afirmou a jornalistas: “Não tenho medo da administração Trump. Eu falo do Evangelho. Não sou um político. Não tenho intenção de debater com ele”. O Pontífice reafirmou o conteúdo central de sua mensagem: “A paz. E eu digo isto para todos os líderes do mundo: tentemos acabar com esta guerra”. Em tom de pastor e estrategista moral, o Papa advertiu contra o uso indevido do Evangelho por agentes políticos.

Na sua postagem, Donald Trump invocou episódios e narrativas destinados a ferir a autoridade moral do Pontífice: alegou que a Igreja e demais organizações cristãs teriam sofrido perseguições durante o Covid, quando, segundo ele, sacerdotes e ministros foram detidos por celebrarem ritos religiosos. Trump elencou que não quer um Papa que julgue aceitável que o Irã possua armas nucleares e criticou visões que, em sua leitura, estariam alinhadas com adversários dos Estados Unidos.

O ex-presidente também fez referência ao irmão do Pontífice, louvando um suposto alinhamento deste com a agenda MAGA: “Gosto muito mais de seu irmão Louis, porque Louis é todo MAGA. Ele entendeu tudo, e Leone não!”. Acrescentou críticas à postura papal sobre o Venezuela, acusando o país de enviar grandes quantidades de drogas aos Estados Unidos e de expulsar presos — inclusive criminosos violentos — para o território norte-americano.

Trump seguiu com ataques pessoais e afirmações controversas sobre o caminho que levou Leone ao Pontificado, sugerindo que sua ascensão teria sido uma consequência indireta de sua própria presença política na Casa Branca: “Se eu não estivesse na Casa Branca, Leone não estaria no Vaticano”, escreveu, acusando o Papa de se deixar influenciar por figuras da esquerda, citando nominalmente David Axelrod como exemplo.

Do ponto de vista estratégico, o confronto verbal expõe mais do que uma disputa de personalidade: evidencia a tensão entre dois modelos de autoridade — o moral-institucional do Vaticano e o populista-executivo encarnado por Trump — e o modo como crises globais (pandemia, narcotráfico, crises políticas e a guerra) são convertidas em peças de retórica diplomática. É um lance de xadrez em que cada jogador busca redesenhar fronteiras invisíveis de influência: o Papa aposta no alicerce religioso e universal da paz, Trump mobiliza narrativas de segurança interna e soberania.

Por ora, o Vaticano manteve a rota: apelo à reconciliação e à diplomacia discreta. Do lado americano, a ofensiva de Trump deixa claro que a disputa não é apenas sobre doutrina ou moral, mas sobre quem define a agenda pública em momentos de conflito. O tabuleiro, por enquanto, permanece em aberto — mas o movimento foi decisivo.