UE Recusa Schroeder como Mediador e Busca Negociador para a Paz na Ucrânia
UE rejeita Schroeder como mediador indicado por Putin e busca negociador próprio para a paz na Ucrânia; Kaja Kallas e Tajani se posicionam.
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UE Recusa Schroeder como Mediador e Busca Negociador para a Paz na Ucrânia
Por Marco Severini — Em um movimento que revela a fricção entre diplomacia e influência energética, a UE rejeitou sem rodeios a indicação de Vladimir Putin para nomear o ex-chanceler alemão Gerhard Schroeder como mediador no conflito da Ucrânia. A decisão, anunciada no âmbito do Conselho de Relações Exteriores, revela um desenho claro: Bruxelas quer controlar as peças do seu próprio tabuleiro diplomático, evitando que a mesa de negociação seja ocupada por alguém com vínculos estreitos com Moscou.
Ao chegar à reunião, a alta representante Kaja Kallas foi direta ao qualificar Schroeder como "um lobbista de alto nível para empresas estatais russas, portanto é compreensível por que Putin queira que ele ocupe esse papel, para que na prática ele esteja dos dois lados da mesa". A advertência de Kallas desmonta qualquer tentativa de normalizar um mediador cuja imparcialidade é, no mínimo, questionável.
O ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, alinhou-se ao coro europeu: "O nome do negociador é escolhido pela Europa", afirmou, lembrando que a soberania política da UE na escolha de interlocutores é um princípio não negociável. A declaração sublinha a intenção de proteger os alicerces da diplomacia europeia, evitando que atores externos redesenhem fronteiras invisíveis de influência.
Na prática, o quebra-cabeça das candidaturas permanece aberto. Entre os nomes circulam figuras com distinto capital simbólico: do ex-governador do BCE Mario Draghi, à ex-chanceler Angela Merkel, passando pelo presidente do Conselho Europeu Charles Michel e pelo primeiro-ministro português António Costa, que foi mencionado recentemente por ter dito ser prudente preparar um nome de prestígio caso a janela de negociação se abra.
Nos bastidores, surgem também escolhas menos óbvias: o líder belga Bart De Wever tem chamado atenção por recentes aberturas em direção a Moscou, mas não é classificado como filorusso, diferentemente do primeiro-ministro eslovaco Robert Fico, que desperta reservas em vários capitais da UE. Esses movimentos lembram uma partida de xadrez em que nem sempre a peça que se movimenta primeiro é a que decide o xeque.
Questionada sobre se ela própria poderia ser o rosto europeu das negociações, Kaja Kallas evitou afirmar compromisso: "Neste momento não estamos sequer na fase de entrar nos diálogos; não vemos que a Rússia esteja negociando de boa-fé". Em tom reflexivo, acrescentou que, como ex-advogada, conhece negociações por dentro: "Na política, ao contrário do setor privado, muitas vezes você precisa proclamar suas qualidades, porque ninguém as atesta por você".
O resultado é uma janela estratégica em aberto: a UE corrobora que escolherá seu próprio mediador e não aceitará imposições externas — uma posição que reflete a tectônica de poder atual. Entretanto, até que a Rússia demonstre compromisso real e verificável, qualquer proposta de mediação permanece mais como um exercício de cartografia diplomática do que como o movimento decisivo que poderia levar à paz.