UE Pode Suspender EES para Evitar Colapso nos Aeroportos: Riscos e Soluções no Tabuleiro da Segurança
UE avalia suspensão temporária do EES para aliviar filas em aeroportos; Frontex e estados mobilizados para reduzir atrasos e retomar controle.
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UE Pode Suspender EES para Evitar Colapso nos Aeroportos: Riscos e Soluções no Tabuleiro da Segurança
Por Marco Severini — A introdução do EES (Entry/Exit System) transformou-se, nas últimas semanas, num movimento decisivo no tabuleiro das fronteiras europeias. Concebido após os atentados de 2015 para reforçar os alicerces da segurança, o sistema automatizado entrou em operação em outubro de 2025 com uma fase de arranque gradual de seis meses. Seu objetivo técnico é claro: registar entradas, saídas e recusas de entrada de cidadãos de países terceiros que visitam o espaço Schengen por curtos períodos (até 90 dias em 180), recolhendo dados anagráficos e biométricos — impressões digitais e fotografia facial — para impedir overstayers e tentativas de fraude de identidade.
No entanto, a implementação está encontrando resistência logística nos pontos regionais. Companhias aéreas, com destaque para a low-cost Ryanair, denunciam filas e atrasos em terminais como Milano Bergamo, Tenerife Sul, Palma, Alicante, Málaga, Cracóvia e Paris Beauvais, com previsão de agravamento nas semanas mais intensas do verão. Relatos do setor apontam para congestionamentos e para um desafio operacional que não se limita à tecnologia, mas arrasta consigo a capacidade de gestão local.
Fontes da União Europeia qualificam o epicentro dos problemas: cerca de vinte valas fronteiriças regionais — habitualmente pouco habituadas a fluxos massivos de passageiros — estariam a sofrer os principais impactos. Em alguns pontos, a espera chega a cinco horas para os controlos, conforme denunciou Olivier Jankovec, diretor-geral da Airports Council International Europe. Em resposta, a Comissão Europeia convocou representantes da aviação para avaliar medidas imediatas.
Como movimento pragmático no xadrez institucional, a Comissão optou por conceder aos Estados-membros a possibilidade de suspender temporariamente o controlo eletrónico e regressar ao carimbo manual no passaporte até setembro, antes do pico de viagens de agosto. A medida, prevista na lei, destina-se a evitar o colapso dos aeroportos e a proteger a fluidez do tráfego.
Paralelamente, Bruxelas trabalha em medidas para reduzir tempos de espera: simplificação de procedimentos, aumento do uso de gate automáticos, reforço de recursos policiais de fronteira e mobilização de Frontex. A agência europeia está pronta a desdobrar pessoal nos aeroportos mais congestionados e a apoiar a implementação da nova aplicação de pré-registo, já desenvolvida para todos os Estados-membros, segundo o porta-voz da Comissão, Markus Lammert.
Do ponto de vista estratégico, trata-se de conciliar dois princípios aparentemente antagónicos: a necessidade de segurança reforçada — resposta legítima à tectônica de ameaças dos últimos anos — e a preservação da circulação e do sector económico ligado ao turismo e à aviação. Na arquitetura diplomática da União, a decisão de autorizar suspensões temporárias revela um pragmatismo calculado: mitigar riscos imediatos sem enfraquecer o desenho normativo do sistema. O desafio está posto nos bastidores das decisões nacionais e europeias: adaptar infraestruturas, reforçar recursos humanos e modular o ritmo de implantação para evitar que os alicerces frágeis da diplomacia de fronteira se partam sob o peso do verão.