Xi Jinping e Donald Trump selam acordo para reforçar cooperação e estabilidade estratégica

Xi Jinping e Donald Trump anunciaram acordo para reforçar cooperação, comunicação e coordenação estratégica entre China e EUA.

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Xi Jinping e Donald Trump selam acordo para reforçar cooperação e estabilidade estratégica

Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, ainda que discretamente, linhas de influência no tabuleiro global, os presidentes Xi Jinping e Donald Trump anunciaram ter alcançado entendimentos relevantes para a manutenção de vínculos econômicos e comerciais estáveis entre China e EUA. A declaração, divulgada pela agência oficial Xinhua, descreve a visita de Trump como histórica e de grande importância, apta a estabelecer uma nova visão para a construção de uma relação construtiva alicerçada na estabilidade estratégica.

No pronunciamento, Xi Jinping afirmou: “Abbiamo raggiunto importanti intese comuni sul mantenimento di legami economici e commerciali stabili, sull'espansione della cooperazione pratica in vari campi e sull'affrontare in modo adeguato le reciproche preoccupazioni”. Em síntese diplomática: acordo sobre reforçar comunicação e coordenação em questões internacionais e regionais, e ampliar projetos práticos de cooperação — um movimento de peças que busca reduzir riscos e preservar canais de interação.

O protocolo mostrou também a dimensão simbólica do encontro. O comboio presidencial de Donald Trump chegou ao aeroporto de Pequim e, após a cerimônia de despedida, a comitiva partiu em direção ao Air Force One sobre um tapete vermelho, com guarda de honra alinhada na pista. Segundo relatos da CNN, o carro de Trump deixou Zhongnanhai às 13h54, horário local (07h54 na Itália), encerrando uma visita de Estado de três dias que incluiu reuniões no complexo do poder chinês.

Na última jornada de conversas, as agendas tiveram caráter reservado: passeio pelos jardins de Zhongnanhai, chá de trabalho e almoço a portas fechadas entre os dois líderes. A Casa Branca divulgou a lista dos participantes ao lado de Trump, que incluiu nomes como David Purdue (apresentado como embaixador dos EUA na China), o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário do Tesouro Scott Bessent, o secretário de Defesa Pete Hegseth e o Representante Comercial Jamieson Greer. A delegação chinesa ao lado de Xi contou com Xie Feng, Cai Qi, o ministro das Relações Exteriores Wang Yi, o vice-ministro Ma Zhaoxu e o vice-primeiro-ministro He Lifeng.

Em pauta, além de comércio e cooperação prática, esteve uma questão sensível de segurança regional: o Irã e o Estreito de Hormuz. Donald Trump declarou que ambos compartilham uma visão “muito similar” sobre a necessidade de pôr fim ao conflito no Irã, evitar a proliferação nuclear e assegurar que o Estreito de Hormuz permaneça aberto ao tráfego naval. “Queremos que isso termine”, disse Trump, enfatizando o risco de uma situação que chamou de “um pouco louca”.

Para além das manchetes, o significado estratégico da visita deve ser lido como um movimento de contenção recíproca: reduzir tensões abertas enquanto preserva espaços de competição. Como num final de partida, os líderes cuidam para não expor as peças mais valiosas, ao mesmo tempo em que definem, discretamente, as linhas de contato que evitarão um colapso súbito. Esta visita, nas palavras de Xi Jinping, “pode ser considerada uma pedra miliare” — um marco que não transforma instantaneamente o tabuleiro, mas reposiciona suas peças com vistas à estabilidade de médio prazo.