Puglia mobiliza caçadores para conter enxame de periquitos que devora amêndoas
Puglia treina caçadores para controlar o periquito-monge que causa milhões em prejuízos aos amendoais. Remoção de ninhos e destruição de ovos entram no plano.
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Puglia mobiliza caçadores para conter enxame de periquitos que devora amêndoas
Por Aurora Bellini, Espresso Italia — A Região da Puglia adotou um plano de contenção para enfrentar a proliferação do periquito-monge (Myiopsitta monachus), espécie invasora que em duas décadas transformou-se em uma verdadeira praga para os mandorleiros e pomares locais. O protocolo, elaborado em parceria com o Departamento de Biosciencias, Biotecnologie e Ambiente da Universidade de Bari, prevê medidas diretas: capacitação de pessoas autorizadas, remoção de ninhos, destruição de ovos e, quando necessário, controle de filhotes por meios que incluem a eutanásia sob critérios técnicos.
O avanço da espécie, originária da América do Sul, tem relação com a tropicalização do clima e com a adaptabilidade das aves a ambientes urbanos e rurais. O primeiro registro oficial ocorreu em Molfetta, em meados dos anos 2000, sobre um eucalipto na contrada Madonna delle Rose. Desde então, os bandos se espalharam por Bisceglie, Giovinazzo, Palese, Bitonto, Palo del Colle e alcançaram até a Alta Murgia.
Para as organizações do setor agrícola, como Coldiretti Puglia e CIA Puglia, os danos são consideráveis: estima-se prejuízo de cerca de 35 milhões de euros desde a chegada da espécie, com mais de 19 mil hectares de amendoais afetados na província de Bari. Além de devorarem amêndoas, cerejas, figos e pêssegos, as aves também danificam instalações agrícolas, como sistemas de irrigação, usados para se banhar e beber.
Visando um enfrentamento técnico e coordenado, a Região da Puglia programou, a partir de 20 de maio, um curso de 14 horas destinado a caçadores habilitados e proprietários rurais. O treinamento incluirá técnicas de monitoramento, identificação de áreas de alta densidade e metodologias para a remoção segura dos ninhos. A formação integra os saberes científicos do corpo docente da Universidade de Bari com procedimentos operacionais práticos.
“Este é um problema vasto e urgente: a proliferação descontrolada de uma espécie está causando danos severos às colheitas”, afirmou Gennaro Sicolo, presidente regional da CIA Puglia, em declaração reproduzida à Espresso Italia. O assessor regional de Agricultura, Francesco Paolicelli, complementou: “Não nos apoiamos na improvisação; o plano envolve pessoal qualificado e protocolos estudados em colaboração com especialistas universitários”.
As medidas previstas incluem ações pontuais em zonas com alta densidade de ninhos, a retirada física das estruturas que abrigam as aves, a destruição de ovos e intervenções sobre os filhotes quando as condições técnicas e éticas assim o exigirem. O objetivo é frear o crescimento populacional da espécie e reduzir o impacto econômico sobre os agricultores, preservando ao mesmo tempo os critérios de biossegurança e bem-estar animal definidos pelas normas regionais.
Enquanto a Puglia se organiza para iluminar novos caminhos de convivência com um ecossistema já transformado, a iniciativa abre também um debate mais largo: como harmonizar a proteção das culturas e a gestão ética das espécies exóticas? A resposta passa por políticas públicas fundamentadas em ciência, formação técnica e monitoramento contínuo — sementes de um futuro agrícola mais resiliente.
Para produtores e cidadãos, a recomendação é colaborar com as autoridades locais, comunicar avistamentos e participar das ações de monitoramento. Essa rede de cuidado coletivo será essencial para semear uma solução duradoura e salvaguardar tanto a riqueza das paisagens agrícolas quanto a sustentabilidade do território.