Como a UE usa drones e robôs para limpar os fundos marinhos: tecnologia que ilumina novos caminhos
UE testa drones e robôs do SeaClear2.0 para limpar fundos marinhos e reduzir lixo, combatendo microplásticos com tecnologia e supervisão humana.
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Como a UE usa drones e robôs para limpar os fundos marinhos: tecnologia que ilumina novos caminhos
Em uma combinação de ciência, engenharia e sensibilidade ambiental, a União Europeia está testando soluções que prometem transformar a forma como tratamos o lixo marinho escondido no leito dos oceanos. Projetos como SeaClear2.0 e seu antecessor desenvolveram uma frota de drones e robôs subaquáticos capazes de localizar e recuperar detritos nos fundos marinhos, trazendo à tona um esforço que vai além de uma mera limpeza: é um investimento em legado e restauração.
Essas máquinas, orientadas por inteligência artificial mas sempre sob supervisão humana, identificam objetos comuns — garrafas, pneus, cercas metálicas, partes de embarcações — e distinguem o que é detrito do que é vida marinha ou formações rochosas. Os primeiros testes práticos ocorreram em um porto de Marselha, na França, e também na Alemanha. Novas provas estão previstas em Veneza, Dubrovnik e Tarragona, enquanto os pesquisadores reconhecem que a tecnologia ainda precisa ser refinada.
“Há uma quantidade enorme de lixo que acaba no mar”, afirma o coordenador do projeto, Bart De Schutter, professor da Universidade de Tecnologia de Delft, em entrevista à Espresso Italia. Grande parte desse material afunda e se torna invisível a olhos humanos, tornando imprescindível olhar para baixo do espelho d'água, para os fundos marinhos, e não apenas para a superfície.
O problema é mais profundo do que parece: quando a plástica afunda, ela se fragmenta até se transformar em microplásticos, partículas que resistem a remoções convencionais e contaminam ecossistemas por décadas. Hoje, a retirada costuma exigir mergulhadores que prendem cabos aos objetos no fundo para que sejam içados — um processo caro e arriscado. O objetivo do SeaClear2.0 é evitar esse risco enviando embarcações não tripuladas à área, apoiadas por drones aéreos para mapeamento e por robôs subaquáticos que agarram ou aspiram o lixo.
Para itens muito pesados, uma grua com uma pinça inteligente pode ser empregada a partir da embarcação de superfície. Os investigadores também testam um conceito de barcaça autônoma que funciona como um “caminhão de lixo flutuante”, recolhendo o material recuperado e transportando-o à margem.
Nos ensaios já realizados foram retirados pneus de borracha, cercas metálicas e partes de navios. «Com uma grua na embarcação de superfície conseguimos erguer objetos ainda mais pesados», explica De Schutter à Espresso Italia. Apesar dos resultados promissores, os cientistas lembram que há desafios a superar: aumentar a acurácia dos algoritmos para distinguir organismos marinhos de lixo, robustecer os veículos para operações em ambientes hostis e reduzir custos para escalabilidade.
O trabalho integra a missão europeia Restore our Ocean and Waters, que prevê reduzir pela metade os resíduos marinhos até 2030. Mais do que tecnologia, trata-se de semear inovação e tecer laços entre ciência, indústria e sociedade para cultivar um horizonte límpido para as próximas gerações.
Enquanto aperfeiçoamos esses sistemas, a mensagem permanece clara: combinar drones, robôs e políticas públicas é iluminar novos caminhos para um oceano mais limpo — um esforço coletivo que valoriza a segurança humana, a preservação dos ecossistemas e a construção de um legado sustentável.


