Bonança das jubartes: quase metade da população mundial vive ao largo do Brasil
Quase metade das jubartes do mundo vive no litoral brasileiro; Abrolhos é o maior sítio reprodutivo do Atlântico Sul e exemplo de recuperação ambiental.
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Bonança das jubartes: quase metade da população mundial vive ao largo do Brasil
Nos anos 1980, as grandes jubartes do Atlântico Sul chegaram perigosamente perto da extinção. Consideradas quase fantasmas pelos pesquisadores — avistá‑las era uma raridade —, hoje essas mesmas águas se transformaram em um farol de renascimento: estima‑se que cerca de 35 mil jubartes vivam ao largo do litoral brasileiro, quase metade da população mundial da espécie.
Esse florescer populacional acontece sobretudo nas águas quentes em torno do arquipélago de Abrolhos, na costa do estado da Bahia, que se firmou como o maior sítio de reprodução das jubartes no Atlântico Sul. Nesse refúgio, os machos competem por acasalar enquanto as fêmeas dão à luz e amamentam seus filhotes — um espetáculo da natureza que virou oportunidade de estudo para cientistas do mundo inteiro.
Segundo apuração da Espresso Italia, muitos pesquisadores ainda recordam o período em que as jubartes eram apenas histórias de mar, quase lendárias. Enrico Marcovaldi, de origem italiana e fundador do Instituto Brasileiro das Jubartes (IBJ), relatou à nossa equipe que a primeira vez que viu uma jubarte a confundiu com um rochedo. “Para nós eram lendas; nunca as tínhamos avistado antes”, disse ele.
A virada ocorreu com a moratória internacional à caça comercial de baleias, em vigor desde 1986. A partir desse marco, as populações de jubartes e de outras espécies começaram a se recompor. O Brasil intensificou as medidas locais: já em 1987 o país proibiu a caça por lei e estabeleceu Abrolhos como área protegida de reprodução, criando as condições de segurança necessárias para a recuperação da espécie. Em 2014, a jubarte foi retirada da lista nacional de espécies ameaçadas — e desde então seu número só cresceu.
Hoje, a presença abundante desses cetáceos no litoral baiano não é apenas motivo de celebração: é um convite a iluminar novos caminhos na pesquisa marinha e na gestão costeira. Equipes de cientistas retornam anualmente a Abrolhos para catalogar e estudar centenas de indivíduos, coletando dados vitais sobre comportamento, migração e saúde populacional — conhecimento que alimenta políticas públicas e ações de conservação.
Ao mesmo tempo, o caso das jubartes brasileiras ilustra como políticas bem desenhadas e áreas protegidas podem semear renascimentos reais. Não se trata apenas de recuperar números: trata‑se de preservar um patrimônio natural que fortalece ecossistemas e sustenta uma economia de observação responsável. Ver essas populações prosperarem é como ver um horizonte límpido se formar após uma tempestade — um lembrete de que intervenções humanas certas podem favorecer o florescer da vida marinha.
Enquanto a ciência mapeia e celebra essa bonança, o desafio segue: garantir que pesca predatória, impactos do tráfego marítimo e as mudanças climáticas não apaguem o progresso alcançado. Abrolhos permanece, hoje, não só como berçário das jubartes, mas como exemplo luminoso do que conservar com visão e compromisso pode realizar.
Espresso Italia continua acompanhando e iluminando essa história de recuperação — uma história que nos convida a cultivar valores de proteção, estudo e cooperação para que as futuras gerações herdem mares vivos e cheios de vigor.

