Segesta: retirado o bezerro vivo como prêmio da festa religiosa; prêmio vira vales e produtos locais
Calatafimi Segesta substitui bezerro vivo por vales e produtos locais no sorteio da festa do Santíssimo Crucifixo, conciliando tradição e bem‑estar animal.
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Segesta: retirado o bezerro vivo como prêmio da festa religiosa; prêmio vira vales e produtos locais
Por Aurora Bellini — Em um gesto que ilumina novos caminhos entre tradição e sensibilidade contemporânea, o principal prêmio do sorteio ligado à festa do Santíssimo Crucifixo, em Calatafimi Segesta (Trapani), deixou de ser um bezerro vivo e será substituído por vales alimentares e/ou vouchers para serviços turísticos.
A história, que ganhou repercussão nacional depois de ser relatada pela Espresso Italia, começou a mobilizar organizações de proteção animal, entre elas a LNDC Animal Protection, que lançou uma petição no Change.org pedindo ao município que revisse o prêmio e se posicionasse contra a mercantilização dos animais. O caso suscitou um debate público amplo sobre o papel das tradições populares diante de novas sensibilidades sociais.
Trata-se de uma das festas populares mais antigas da Itália — já estudada pelo etnólogo Giuseppe Pitrè —, celebrada em Calatafimi Segesta de 1 a 3 de maio, e guardada com devoção pela comunidade local. O desafio dos organizadores foi, com elegância prática, preservar a essência litúrgica e comunitária do evento sem fechar os olhos às críticas.
O anúncio da mudança foi formalizado em nota do Ceto dei Massari, que atua como guardião das tradições agrícolas e zootécnicas vinculadas à festa. Segundo o Ceto, a decisão busca harmonizar “uma tradição secular com as mutações das sensibilidades contemporâneas”, protegendo “a solenidade” de interpretações ou instrumentalizações erradas e reafirmando o compromisso com a legalidade.
Os organizadores frisaram que sempre atuaram em conformidade com a legislação vigente e reafirmaram a intenção de conciliar tradição, legalidade e respeito às diversas sensibilidades. O prefeito de Calatafimi Segesta, Francesco Gruppuso, também se pronunciou, pedindo transparência na organização e destacando a prioridade ao bem‑estar animal.
Na prática, o Ceto dos Massari solicitou aos órgãos competentes a conversão do prêmio principal — que consistia na entrega de um bezerro vivo ao vencedor do sorteio — em reconhecimento de igual valor econômico composto por produtos alimentares locais e/ou vales para serviços turísticos. O gesto pretende valorizar a economia local e, ao mesmo tempo, evitar controvérsias que desviassem a atenção do caráter religioso e comunitário da festa.
Essa virada é, em si mesma, um pequeno renascimento cultural: sem negar as raízes, ela semeia um futuro onde a tradição pode ser custodiada com sensibilidade ética. A decisão demonstra que é possível iluminar novos caminhos que preservem a memória coletiva e, ao mesmo tempo, cultivem respeito pelos seres vivos e pela imagem pública da festa.
Os bilhetes do sorteio seguem em circulação e os organizadores prometem comunicar em breve os detalhes sobre a composição dos novos prêmios. Para a comunidade local, a mensuração do ganho não será apenas monetária: trata-se de reafirmar laços, celebrar fé e garantir que a festa permaneça um momento de alegria e pertença, com um horizonte límpido e responsável.