Degelo estrutural: glaciares italianos em retrocesso entre perdas, colapsos e risco de extinção

Glaciares italianos enfrentam degelo estrutural: Adamello, Forni e outros em forte retrocesso. Urge ação em mitigação e adaptação.

Degelo estrutural: glaciares italianos em retrocesso entre perdas, colapsos e risco de extinção

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Degelo estrutural: glaciares italianos em retrocesso entre perdas, colapsos e risco de extinção

Por Aurora Bellini — Enquanto o sol ainda ilumina os cumes, a paisagem das grandes massas de gelo da Itália revela um horizonte cada vez mais fragilizado. O degelo estrutural deixou marcas visíveis: do brilho perdido do Adamello às fraturas que anunciam colapsos, a narrativa dos glaciares hoje é de contração acelerada e riscos ampliados.

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No início de agosto, a equipe da Legambiente acompanhada pela Fundação Glaciológica Italiana subiu ao Tonale para ver de perto o que resta do maior glaciar italiano. A cena é reveladora: embora um manto branco ainda persista perto da Vedretta del Mandrone, é sobretudo a ausência — o que já não existe — que salta aos olhos, como se estivéssemos observando um negativo do que foi um dia.

Os números confirmam a impressão. Entre 2023 e 2025 a frente do Adamello recuou 265 metros — um indicador não apenas da quantidade de gelo perdida, mas da velocidade preocupante dessa perda. Na alta Valtellina, o glaciar dos Forni, o segundo maior em extensão, retrocedeu cerca de 3 km desde o início do século e, nos dias mais quentes, pode perder até 10 centímetros de espessura por dia.

Não são casos isolados: o Miage e o Planpincieux no Monte Bianco, o outrora resiliente Montasio e o Coolidge do Monviso figuram entre os monitorados. O Coolidge já foi reclassificado como um glacionevato, um estado de transição que, se o clima seguir adverso, pode ser a porta de entrada para a extinção local do gelo.

Na Caravana dos Glaciares 2026, o percurso também cruzou a fronteira e passou pelo francês Grande Motte, hoje em forte retrocesso. A sua fusão recente originou o Lac du Rosolin, um lago glaciar que está sob vigilância constante por risco de transbordamento — um sinal claro de que a dinâmica do degelo traz consigo ameaças hidrológicas que podem atingir planícies e centros habitados.

O que o relatório da temporada diz, e o que nos convoca à ação, é que a deglaciação deixou de ser um fenômeno ocasional para se tornar um processo estrutural. Cifras em retração, surgimento de lagos instáveis, fraturas e deslizamentos compõem um quadro que impõe urgência nas políticas públicas: mitigação das emissões, estratégias robustas de adaptação e planos de gestão de risco hidrológico e geomorfológico.

Mas há também espaço para incubar soluções: o monitoramento contínuo, a ciência de campo e iniciativas comunitárias estão acendendo caminhos para minimizar impactos e preparar territórios. Como curadora de progresso, acredito que podemos iluminar novos caminhos ao combinar conhecimento técnico com governança responsável e investimento em resiliência.

Entre a perda visível e a ação necessária, há um intervalo de tempo que ainda pode ser aproveitado. Preservar as últimas línguas de gelo é preservar, também, um patrimônio climático, hídrico e cultural que alimenta rios, memorias e ecossistemas. Sem romantizar a dor das paisagens que se transformam, precisamos traduzir a elegia em políticas concretas — sem demora.

O relato de campo da Espresso Italia e os dados coletados por organizações especializadas são um chamado claro: enfrentar o degelo estrutural exige compromisso imediato e multidimensional. É hora de semear inovação, cultivar valores e construir um horizonte mais límpido para as próximas gerações.

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