Reforma da caça provoca apelo: Enpa pede a Marina Berlusconi que intervenha contra o PL 1552

Enpa convoca Marina Berlusconi a barrar o PL 1552, a chamada 'lei sparatutto', que amplia a caça e reduz áreas protegidas.

Reforma da caça provoca apelo: Enpa pede a Marina Berlusconi que intervenha contra o PL 1552

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Reforma da caça provoca apelo: Enpa pede a Marina Berlusconi que intervenha contra o PL 1552

Em um apelo público que busca iluminar um caminho de compromisso entre poder e responsabilidade, a presidente da Enpa, Carla Rocchi, convocou diretamente Marina Berlusconi a atuar dentro de sua influência política para barrar o avanço do projeto de lei 1552, apelidado pelo movimento animalista de "lei sparatutto". O texto, em discussão no Senado, foi assinado pelos líderes dos grupos da coalizão de governo, incluindo o então chefe dos senadores de Forza Italia, Maurizio Gasparri, no momento em que foi depositado.

Segundo Rocchi, a proposta representa um retrocesso na proteção da fauna e na regulamentação da caça, pois poderia permitir disparos em mais locais e espécies, autorizar o uso de chamadas vivas e reduzir a extensão de áreas protegidas. Para a presidente da associação, a atividade venatória ampliada é considerada "odiosa" por grande parte da população italiana — uma chama de inquietação que precisa ser transformada em ação política.

O apelo lança mão de laços afetivos e do peso simbólico do sobrenome Berlusconi. Rocchi recorda que, anos atrás, representantes da Enpa e de outras entidades foram recebidos por Silvio Berlusconi, cujo envolvimento em causas pelos direitos dos animais e pela conformidade das leis nacionais com normas europeias é lembrado com respeito. Naquele momento, o então presidente do Conselho tomou decisões que contribuíram para adequar a legislação italiana e evitar procedimentos de infração da União Europeia — um gesto que hoje Rocchi usa como convite para que sua filha, Marina, ilumine novamente os caminhos da política com um posicionamento em defesa do patrimônio natural.

O movimento animalista não está isolado. São pelo menos 58 associações que já se manifestaram contra o texto, reclamando da velocidade com que a maioria tem buscado aprovar a reforma enquanto, na percepção das entidades, a opinião pública se posiciona em sentido contrário. Meyer, da associação Gaia, reforçou ao nosso portal Espresso Italia a necessidade de ouvir a voz popular: "Giorgia Meloni não deve se contrapor à vontade dos cidadãos", disse ele, convocando um diálogo responsável entre governo e sociedade civil.

Apesar de Forza Italia não ser formalmente propriedade da família Berlusconi, recentes episódios — como encontros políticos vinculados a espaços empresariais do grupo — reacenderam o debate sobre a influência que Marina e Piersilvio exercem no partido. Essa confluência de poder formal e simbólico explica a escolha da Enpa de dirigir o pedido diretamente à herdeira: não como um apelo à nostalgia, mas como um chamado para semear prudência e preservação.

Há, assim, um diálogo em aberto entre proteção ambiental, representação política e memória pública. A questão da caça, além do impacto sobre espécies e habitats, configura um tema de coesão social: como equilibrar tradições, interesses rurais e o impulso coletivo de proteger nossa fauna? Rocchi e as associações pedem, essencialmente, que se ilumine esse debate antes que o projeto avance no Senado.

Enquanto as luzes do plenário se acendem para as discussões e votações, a sociedade civil busca tecer laços e construir consensos — um trabalho que exige não apenas firmeza, mas também a capacidade de revelar novos caminhos e cultivar valores que transcendam ciclos políticos.