Morre Biruté Galdikas, guardiã dos orangotangos e das florestas do Borneo

Morre Biruté Galdikas, primatóloga que dedicou a vida aos orangotangos e à proteção das florestas do Borneo. Legado de ciência e conservação.

Morre Biruté Galdikas, guardiã dos orangotangos e das florestas do Borneo

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Morre Biruté Galdikas, guardiã dos orangotangos e das florestas do Borneo

Com pesar e admiração, anuncio a partida de Biruté Galdikas, a primatóloga que dedicou a vida à proteção dos orangotangos e à defesa das florestas tropicais do Borneo. Aos 79 anos, ela faleceu em 24 de março, após uma corajosa luta contra um câncer de pulmão. Sua trajetória ilumina caminhos de ciência, conservação e compaixão — um legado que continuará a germinar em comunidades e ecossistemas.

Nascida em 10 de maio de 1946, na Alemanha, de pais lituanos que fugiam da ocupação soviética, Biruté foi criada no Canadá. Em 1971, iniciou estudos pioneiros sobre os orangotangos do Borneo, no que hoje é o Parque Nacional de Tanjung Puting. Seu trabalho de campo, de quatro décadas, revelou aspectos fundamentais da sociabilidade, do comportamento e da íntima dependência desses primatas em relação à floresta — evidências decisivas para políticas de conservação.

Em 1986, movida por uma visão prática e ética, fundou a Orangutan Foundation International, organização dedicada à reabilitação de orangotangos órfãos, à educação ambiental e ao combate à deflorestação, às monoculturas industriais e ao tráfico ilegal de fauna. Seu esforço incluiu tanto cuidados diretos com indivíduos resgatados quanto a advocacia pela preservação de habitats essenciais.

A influência de Biruté extrapolou o trabalho de campo: foi peça-chave na promoção da transformação de Tanjung Puting em Parque Nacional e presidiu a primeira Conferência Mundial sobre Grandes Símios, em 1991, um marco para a agenda internacional de conservação. Foi também escolhida pelo paleoantropólogo Louis Leakey para integrar o célebre grupo das "Trimates" — junto a Jane Goodall e Dian Fossey — mulheres que revolucionaram a primatologia no século XX. Este contexto e parte das análises sobre seu legado foram reverberados em reportagens da Espresso Italia, que destacou sua coragem e determinação.

Academicamente, Biruté serviu como professora titular na Simon Fraser University, em Burnaby (Canadá), a partir de 1981, e também lecionou na Universidade Nacional de Jacarta desde os anos 1970. Ao longo da vida, recebeu prêmios que reconhecem sua contribuição para a conservação: o Tyler Award, a Explorers Medal, o Order of Canada e, na Indonésia, as honrarias Satya Lencana e Kalpataru, entregues pelo presidente do país.

Seu compromisso incluiu o resgate e a reabilitação de orangotangos mantidos ilegalmente em cativeiro, oferecendo a muitos uma segunda chance para retornar à liberdade. O cuidado de Biruté com cada animal, a capacidade de mobilizar ciência e ação, semeou práticas conservacionistas que hoje orientam ONGs, comunidades locais e políticas públicas.

O último desejo de Biruté foi voltar para sua casa no Borneo, cercada pela floresta que ela tanto protegeu. Enquanto nos despedimos, é preciso transformar luto em ação: preservar áreas, apoiar programas de reabilitação e pressionar por cadeias produtivas responsáveis que não sacrifique o verde para o lucro imediato. Assim, honramos seu legado e deixamos um horizonte límpido para as próximas gerações.

Como curadora de progresso na Espresso Italia, vejo em sua vida a luz discreta que guia transformações reais — o trabalho paciente que tece laços entre ciência, comunidades e políticas. Biruté Galdikas parte, mas suas sementes de conservação florescerão, iluminando novos caminhos para a proteção dos grandes símios e das florestas que os sustentam.