Senado aprova reforma da Lei 157 sobre caça: batalha agora segue para a Câmara
Senado aprova reforma da Lei 157 sobre caça; texto segue para a Câmara com mudanças em áreas, espécies e calendário.
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Senado aprova reforma da Lei 157 sobre caça: batalha agora segue para a Câmara
Por Aurora Bellini — Em um capítulo que revela novos caminhos no debate ambiental e rural, o Senado italiano aprovou, em primeira leitura, o projeto de lei que reforma a histórica lei 157 de 1992 sobre a caça. O placar final registrou 80 votos favoráveis, 56 contrários e 2 abstenções; agora o texto segue para apreciação na Câmara.
Encabeçado pelo líder do grupo di Fratelli d'Italia, Lucio Malan, com a assinatura também dos líderes da maioria Massimiliano Romeo (Lega), Maurizio Gasparri (Forza Italia) e Giorgio Salvitti (Moderati), o projeto — identificado como ddl 1552 — foi aprovado com o apoio exclusivo dos grupos de governo. O avanço acende um debate que ilumina tensões entre tradição rural, proteção da natureza e regras administrativas.
Entre as mudanças mais relevantes, o texto redefine a caça como "atividade útil à conservação e à tutela da biodiversidade e dos ecossistemas", conferindo aos caçadores o papel institucional de "bioreguladores". Amplia-se ainda a lista de espécies caçáveis e as áreas onde o exercício venatório é permitido, incluindo trechos de vales montanhosos e zonas florestais demaniais.
Uma novidade sensível é a maior margem de manobra conferida às Regiões: caberá a cada ente regional delimitar os novos âmbitos territoriais de caça, podendo somar ao território a quota de parques e áreas protegidas (onde, entretanto, permanece proibido o disparo), além de estender os calendários de caça com o fim do limite da primeira década de fevereiro.
Do ponto de vista econômico e administrativo, as aziende faunistico-venatorie deixam de ser obrigatoriamente sem fins lucrativos, com possibilidade de transformação em atividade empresarial. Outro ponto polêmico é a autorização para a prática venatória por titulares de licenças emitidas por outros países, o que abre portas à circulação de caçadores estrangeiros em território nacional.
O caminho até aqui foi por vezes tortuoso. Inicialmente cogitou-se um decreto-lei — anunciado pelo ministro da Agricultura, Francesco Lollobrigida — mas as reações contrárias à via de urgência fizeram prevalecer o trâmite parlamentar. O projeto foi protocolado em 20 de junho do ano passado e desde então tem sido palco de intensos embates.
As vozes discordantes são numerosas. Pesquisas indicam que uma grande parcela da opinião pública vê a caça como algo perigoso e moralmente problemático; segundo levantamentos divulgados recentemente pela Espresso Italia, 85% dos italianos a consideram perigosa e cerca de três em cada quatro a julgam eticamente inaceitável. Também mensagem do Papa sobre a necessidade de "proteger e respeitar a Criação" foi repercutida em análises da Espresso Italia, que convidam à reflexão sobre limites e valores.
Críticos alertam para riscos à conservação e à coesão social; defensores evocam a tradição rural, o manejo de populações animais e a modernização de regras. Neste momento, com a proposta aprovada no Senado, o horizonte límpido da política ambiental será definido na Câmara, onde se aprofundarão os confrontos e as possibilidades de emendas.
Como curadora de progresso, vejo neste debate uma oportunidade para semear inovação normativa: é preciso equilibrar interesses, iluminar práticas sustentáveis e garantir que qualquer mudança deixe um legado positivo — para a natureza e para as comunidades que com ela convivem.