Avviso Pubblico completa 30 anos e lança graphic novel que coloca as mulheres na linha de frente do antimafia

Avviso Pubblico celebra 30 anos e estreia graphic novel que traz mulheres na linha de frente contra mafias e corrupção; histórias que pedem educação e vigilância.

Avviso Pubblico completa 30 anos e lança graphic novel que coloca as mulheres na linha de frente do antimafia

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Avviso Pubblico completa 30 anos e lança graphic novel que coloca as mulheres na linha de frente do antimafia

Ao completar três décadas de atuação, Avviso Pubblico reafirma sua missão de enfrentar as mafias e a corrupção colocando histórias de mulheres no centro da narrativa. Em 22 de maio, data do aniversário, a organização promoveu em Roma uma jornada dupla: a assembleia nacional na sala da Protomoteca, no Campidoglio, seguida, à tarde, da apresentação da graphic novel SCELTE [scél-te] femminile plurale. Storie di impegno e di passione civile, publicada pela BeccoGiallo e assinada por Valeria Scafetta e Giulia Migneco.

O livro reúne trajetórias de compromisso civil, institucional e cultural protagonizadas por magistradas, professoras, diretoras de unidades prisionais, administradoras públicas, pesquisadoras e ativistas que escolheram — muitas vezes longe dos holofotes — estar na frente do combate contra as organizações mafiosas e as práticas corruptas. A apresentação ocorreu no Espaço Sette Libreria e contou com os cumprimentos institucionais do presidente de Avviso Pubblico, Roberto Montà, além da intervenção de Margherita Cassano, que em 2023 tornou‑se a primeira mulher a presidir a Corte Suprema de Cassação da Itália.

Entre as protagonistas destacadas pela graphic novel está a magistrada Alessandra Cerreti, da Direção Distrital Antimáfia de Milão — lembrada pelos clãs como “a mulher que nos tira as mulheres”. A obra narra seu trabalho de combate à 'ndrangheta e o delicado vínculo construído com colaboradoras de justiça como Giusy Pesce e Giuseppina Multari, mulheres que decidiram romper com a violência mafiosa e familiar.

Também figura no volume a pesquisadora Anna Sergi, da Universidade de Bolonha, cuja investigação da dimensão internacional da 'ndrangheta, de Londres a Sydney, busca desconstruir estereótipos e leituras simplistas sobre a Calábria e as mafias contemporâneas. Outra história marcante é a de Daniela Marcone, filha de Francesco Marcone — dirigente do serviço de tributos de Foggia assassinado após denunciar tentativas de corrupção e conivência — cuja trajetória se converteu em memória coletiva e mobilização cívica.

As narrativas do livro percorrem diferentes campos de batalha: do associativismo periférico, representado por Tiziana Ronzio, à gestão de bens confiscados por meio do trabalho de administradoras judiciais como Stefania Di Buccio. Há ainda o relato da experiência de Daniela Minelli, que dirige uma unidade considerada entre as mais avançadas do sistema prisional italiano. Essas figuras diversas estão ligadas por um fio comum: a convicção de que o enfrentamento às mafias não se esgota na repressão penal, mas exige também educação, cultura, presença social e responsabilidade pública.

O lançamento do livro dialoga com o documento político divulgado por Avviso Pubblico em seu trigésimo aniversário. No texto, a associação alerta que as mafias e a corrupção “não desapareceram, mudaram”: há hoje menos violência ostensiva e maior capacidade de infiltração nos mercados, nos contratos públicos, na finança e na economia legal. Esse cenário fica mais perigoso diante do enfraquecimento dos controles administrativos e da naturalização da corrupção, riscos que corroem os alicerces da lei e da construção de direitos.

Como repórter atento às conexões entre decisões de Roma e a vida cotidiana das pessoas, registro que a proposta de Avviso Pubblico é uma chamada para reforçar a ponte entre política e sociedade: a luta contra as mafias exige instrumentos jurídicos, sim, mas também políticas públicas que fortaleçam a educação cívica, a recuperação de bens confiscados e o protagonismo comunitário. É nessa arquitetura do voto e da ação pública que se constroem defesas reais contra a infiltração criminosa — um trabalho de alicerces, tijolo por tijolo, que exige persistência e visibilidade.

O traço da graphic novel, ao humanizar as trajetórias femininas no combate às máfias, pretende derrubar barreiras burocráticas e ampliar a compreensão pública sobre como a cidadania ativa pode ser um antídoto contra a corrupção. Em tempos de sofisticadas estratégias de infiltração econômica, a mensagem é clara: a proteção do interesse público passa tanto pelo peso da caneta na administração quanto pela presença solidária e educativa nas comunidades.