Conte à Comissão Covid: entreguei à procura um relatório anônimo sobre possíveis máscaras ineficazes da JC Electronics Italia
Conte deposita à procura relatório anônimo sobre máscaras da JC Electronics e defende a necessidade do estado de emergência.
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Conte à Comissão Covid: entreguei à procura um relatório anônimo sobre possíveis máscaras ineficazes da JC Electronics Italia
Em audiência na comissão Covid em Palazzo San Macuto, o líder do Movimento 5 Stelle, Conte, afirmou ter levado à procura um relatório anônimo de dez páginas que recebeu recentemente e que, segundo ele, merecia investigação. "Segunda-feira estive na Procura, depositei um verbale que me chegou em forma anônima", disse Conte, solicitando que o documento "permaneça aos autos" da comissão.
Segundo o ex-primeiro-ministro, o documento, datado de 14 de abril de 2022, refere-se à entrega de máscaras pela empresa JC Electronics Italia. De acordo com o conteúdo apresentado por Conte, nos volumes entregues não haveria máscaras com eficácia filtrante compatível com as especificações declaradas, o que, se confirmado, poderia configurar fraude no fornecimento de equipamento de proteção.
Conte ressaltou também que, conforme o relatório, existe a hipótese — ainda a ser verificada pelas autoridades competentes — de que possam ter sido pagos "100 milhões" pela remessa, "uma cifra objetivamente enorme" caso os equipamentos não corresponderem ao declarado. Ele deixou claro que submeteu o relatório à investigação da magistratura para apuração dos fatos.
Na mesma audiência, o líder do M5S criticou o papel que a comissão vem desempenhando, acusando-a de ter sido concebida como "um pelotão de execução" contra sua pessoa e como uma proteção a interesses de administradores locais ligados a certos partidos. "Esta comissão — lamentou Conte — poderia e deveria trabalhar em clima diverso."
Defendendo sua conduta durante a crise sanitária, Conte afirmou: "Vocês podem escavar quanto quiserem, mas não encontrarão nada de ilícito em relação a mim, porque comportamentos ilícitos que me envolvam simplesmente nunca houve". Reforçou que atuou conforme a Constituição, "com disciplina e por honra", e advertiu contra tentativas de lançar sombras sobre aqueles que trabalharam para proteger a comunidade, inclusive famílias das vítimas e cidadãos que fizeram enormes sacrifícios.
Sobre a estratégia normativa adotada na pandemia, o ex-premier relembrou que o quadro jurídico assentou-se em três pilares: ordens do ministro da Saúde, decretos-lei e os Dpcm. Conte defendeu a opção do governo da época por privilegiar os Dpcm, explicando que os decretos-lei ofereceram a moldura de legitimidade às medidas inseridas nos Dpcm, os quais, segundo ele, proporcionaram um espaço processual mais amplo e garantias de tutela aos cidadãos, com participação de regiões e municípios e constante prestação de contas ao Parlamento.
Ao fim da sua exposição, Conte reafirmou que continuará contribuindo com a investigação e pediu transparência: que o material apresentado à procura e à comissão Covid seja objeto de apuração célere, para proteger tanto os alicerces da lei quanto a confiança pública. Em tom de metáfora de cidadania, advertiu que a política deve servir como ponte entre as instituições e a vida concreta das pessoas, não como martelo para derrubar reputações.