Crosetto alerta: "É a crise mais dura — Hiroshima não nos ensinou nada"

Crosetto alerta que vivemos "a crise mais dura"; critica falta de aprendizado sobre Hiroshima e adverte sobre risco nuclear e enfraquecimento defensivo.

Crosetto alerta: "É a crise mais dura — Hiroshima não nos ensinou nada"

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Crosetto alerta: "É a crise mais dura — Hiroshima não nos ensinou nada"

Guido Crosetto, ministro da Defesa da Itália, lançou um alerta severo sobre o quadro internacional em entrevista ao Corriere della Sera. Segundo ele, o conjunto de tensões atuais constitui "uma situação sem precedentes" nas últimas décadas e corre o risco de se agravar rapidamente. "Temo que o que já é dramático possa precipitar ainda mais. Porque sei que a humanidade nos mostrou que não existe limite para a loucura", declarou o ministro.

Crosetto sublinha, em tom de advertência histórica, que aqueles que acreditaram ser aceitável empregar Hiroshima e Nagasaki para encerrar conflitos foram "seres humanos como nós". "Infelizmente ainda temos armas nucleares e quem não as possui as procura. Não aprendemos nada", afirmou, lembrando o peso simbólico e prático dos eventos de 1945 para a arquitetura da segurança global.

Ao traçar o diagnóstico, Crosetto descreve uma acumulação de problemas que se alimentam mutuamente e tornam a resolução cada vez mais difícil. "Espero que todos se deem conta do que estamos vivendo — é uma situação que não tem precedentes na história dos últimos decênios. Há uma soma de criticidades que se acumula e se autoalimenta", explicou.

Sobre o papel dos Estados Unidos e do presidente Donald Trump, o ministro foi direto: não existe, do exterior, um mecanismo capaz de obrigar um líder soberano a mudar de rumo. "Ele é o líder de uma nação soberana e ninguém de fora consegue influenciá-lo", disse Crosetto, acrescentando que a própria presidência precisaria de "colaboradores mais corajosos". "Um dos problemas desta presidência é que ninguém ousa contrariar o Chefe", observou, sugerindo um vácuo de freios internos.

Quanto a um eventual abandono da Nato por Washington, Crosetto descartou essa possibilidade imediata: a saída formal exigiria o voto do Congresso, que ele julga improvável. No entanto, alertou para o efeito prático que um eventual recuo de tropas norte-americanas teria sobre a defesa europeia: "Poderia ele decidir retirar soldados da Europa. Isso nos deixaria mais fracos, menos defendidos".

Interrogado sobre a base de Sigonella e relatos que sugerem concessões passadas de uso, o ministro negou veementemente: "Negarei certamente, porque é falso. Mas não creio que exista suspeita porque não é um tema gerido pela política, e sim pelos militares", afirmou, tentando fechar a porta a especulações políticas.

Na frente doméstica, Crosetto manifestou preocupação com as reservas energéticas: existe o receio de que cargas e cadeias possam bloquear "no espaço de um mês". "Não tudo, mas muito", disse, destacando riscos práticos para a vida dos cidadãos caso a situação piore.

Dirigindo-se ao cenário político nacional, o ministro pediu que "maioria e oposição depositem as armas" e construam momentos de coesão. "Precisamos colaborar para enfrentar uma crise que, como disse, não tem precedentes". Questionado sobre um eventual rimpasto ministerial ou eleições antecipadas, respondeu com firmeza: "Somos obrigados a resistir, porque tudo podemos nos permitir agora, exceto uma crise".

Como repórter que vigia a construção dos alicerces da vida pública, registro que o pronunciamento de Crosetto é um apelo tanto ao pragmatismo quanto à responsabilidade — uma chamada para erguer, agora, pontes de consenso em vez de levantar muros de contenção. A crise, nas palavras do ministro, exige que a política funcione como obra pública: bem planejada, coordenada e voltada para proteger a cidadania.