Palermo: assessora Elvira Amata (FdI) vai a julgamento por corrupção; promessa de €30.000 a empresária Marcella Cannariato
Assessora siciliana Elvira Amata (FdI) vai a julgamento por corrupção: promessa de €30.000 a Marcella Cannariato em troca de favores pessoais.
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Palermo: assessora Elvira Amata (FdI) vai a julgamento por corrupção; promessa de €30.000 a empresária Marcella Cannariato
O juiz para a fase preliminar do Tribunal de Palermo, Walter Turturici, determinou o encaminhamento a julgamento da assessora regional ao Turismo e ao Esporte, Elvira Amata, membro da direção regional de Fratelli d'Italia. A decisão, anunciada nos autos da investigação local, coloca nas engrenagens da justiça um caso que mistura políticas públicas, relações pessoais e o uso de recursos públicos para eventos privados.
Conforme a acusação conduzida pela Procura de Palermo, Amata é suspeita de ter prometido financiar com €30.000 um evento promovido pela Fundação Marisa Bellisario, representada regionalmente por Marcella Cannariato, em troca de favores de natureza pessoal. Em paralelo ao envio de Amata a julgamento, o magistrado aplicou uma pena de dois anos e seis meses a Cannariato — desenrolar processual que evidencia a força probatória reunida pelos investigadores.
O núcleo das imputações aponta que Amata teria solicitado a Cannariato, gerente e representante legal da sociedade A&C Broker Srl, a contratação de seu sobrinho, Tommaso Paolucci (não indagado), além do pagamento das despesas de alojamento do jovem durante o período em que prestou serviços em Palermo. Em compensação, segundo o inquérito, Amata teria se comprometido a destinar verbas públicas para apoiar a "XXIII edizione Donna, Economia e Potere", evento ligado à fundação que a empresária representava.
Os procuradores responsáveis pelo caso, Andrea Fusco e Felice De Benedittis, foram à Justiça pedindo a condenação de Cannariato a dois anos e seis meses, pedido que obteve acolhimento do magistrado Turturici. Para Amata, a data do julgamento ficou marcada para 7 de setembro, quando a instrução seguir-se-á na pauta do tribunal.
O episódio reacende no cenário regional questões que são alicerces da vida democrática: a gestão de fundos públicos, a transparência em nomeações e contratos e o peso da caneta quando o poder público se confunde com interesses privados. Deputados do Movimento 5 Stelle (M5S) reagiram rapidamente, apresentando uma moção de censura e pedindo a "remoção imediata" da assessora. Para os parlamentares, a administração dos recursos do setor de Turismo tem sido "opaca, ineficiente e inadequada".
O caso de Amata surge em um momento sensível para a política siciliana, já abalada por outras investigações, como a que envolve a frana de Niscemi — que levou à inscrição de várias figuras políticas, entre elas o presidente regional Renato Schifani — e processos que têm como réu o presidente do ARS, Gaetano Galvagno. Esses episódios compõem um panorama em que a arquitetura do poder regional é testada pela imprensa e pela magistratura.
Como repórter de política atento à interseção entre decisões de Roma e a vida cotidiana dos cidadãos, sigo a evolução deste processo como quem fiscaliza a construção dos direitos — e alerta quando blocos fundamentais da confiança pública parecem deslocados. O peso da caneta não é abstrato: quando decisões administrativas se transformam em moeda de troca, a ponte entre o interesse público e o privado corre risco de ruir.