Antológica de Mario Schifano no Palazzo delle Esposizioni reconstitui sala de jantar da casa Agnelli e traz 100 obras
Antológica de Mario Schifano no Palazzo delle Esposizioni recria a sala de jantar da casa Agnelli e mostra mais de 100 obras, do informale ao pop e além.
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Antológica de Mario Schifano no Palazzo delle Esposizioni reconstitui sala de jantar da casa Agnelli e traz 100 obras
Mario Schifano (1934-1998) é o centro de uma grande antológica inaugurada em 16 de março no Palazzo delle Esposizioni, em Roma. A exposição reúne mais de cem pinturas que percorrem, em ordem cronológica, a trajetória do artista desde os primeiros trabalhos dos anos 1950 até as grandes telas dos anos 1980 e as obras finais de conteúdo social mais incisivo.
O conjunto exposto inclui o políptico de quatorze telas que o artista, aos 34 anos, realizou em 1968 por encomenda de Gianni Agnelli — referenciado pela imprensa italiana como «l’Avvocato» — para a sala de jantar da casa Agnelli em via XXIV Maggio. Trata-se de um painel de grandes dimensões dominado por elementos vegetais — estilos de trepadeiras, palmeiras e carvalhos — motivos recorrentes no repertório de Schifano. A obra substituiu uma versão anterior, intitulada Festa cinese, toda em tons avermelhados e com iconografia de foices, martelos e bandeiras, recusada pelos comitentes; essa primeira versão acabou por ser adquirida por Leone Piccioni e hoje integra o acervo do Museo del Novecento, em Milão.
A curadoria é de Daniela Lancioni. A mostra é fruto da colaboração entre a empresa especial Palaexpo e as Gallerie d’Italia do Grupo Intesa Sanpaolo, com promoção de Roma Capitale, e foi inaugurada na presença do prefeito Roberto Gualtieri. O percurso expositivo, após uma introdução biográfica acompanhada de fotografias de época e documentos, organiza-se de forma didática: começa com os trabalhos de 1956, marcados pelo vínculo ao informal-matérico, passa pelos monocromos célebres de 1960, atravessa a fase «pop» e chega aos grandes formatos dos anos 80, para finalizar com intervenções tardias em que se acentua a sensibilidade social do artista.
O itinerário desenvolve-se na Rotonda — onde foi recriada a sala de jantar da casa Agnelli — e segue pelas sete salas do piso nobre do Palazzo. Entre os destaques, além da projeção dos filmes e curtas dirigidos por Schifano, estão objetos transformados em presentes-artísticos: uma cadeira, uma canoa e um biombo entre os itens que o pintor ofereceu a amigos e conhecidos, reconhecidos aqui como peças de sua produção criativa.
Por opção curatorial expressa, a mostra privilegia o Schifano-artista, deixando de lado o Schifano-personagem — recortes biográficos sensacionalistas sobre amores, prisões por droga ou a vida mondana não integram a narrativa expositiva. A escolha visa concentrar a atenção no percurso estético e nos fatos artísticos comprováveis, resultado de apuração in loco e cruzamento de fontes documentais.
A exposição permanece em cartaz até 12 de julho; informações práticas podem ser verificadas no site oficial do Palazzo delle Esposizioni (palazzoesposizioniroma.it).


