Papa Leone XIV alerta para riscos dos chatbots: Proteger a infância e a educação na era da IA
Papa Leone XIV pede proteção da infância contra o uso acrítico de chatbots e defende educação humana na era da inteligência artificial.
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Papa Leone XIV alerta para riscos dos chatbots: Proteger a infância e a educação na era da IA
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Papa Leone XIV enviou uma carta ao diretor do jornal Avvenire, Marco Girardo, por ocasião dos 30 anos do suplemento infantil Popotus, na qual adverte sobre os riscos de permitir que as crianças tratem os chatbots de inteligência artificial como seus melhores amigos ou fontes absolutas de conhecimento.
No documento dirigido ao periódico, o Pontífice afirma que não se deve deixar que os menores "credano di poter trovare nei chatbot della IA i loro migliori amici o l'oracolo di ogni sapere", advertindo que tal tendência pode "impigrire il loro intelletto e la loro capacità relazionale, intorpidendo la loro creatività e i loro pensieri". Em outras palavras, há um risco concreto de que a exposição acrítica às ferramentas digitais fragilize a capacidade crítica e as relações humanas das novas gerações.
O Papa ressalta a necessidade de "custodire a infância e guidar a sua crescita" para que as crianças sejam "protagonistas de um mundo renovado". Ele dirige uma palavra de agradecimento a pais e professores, reconhecendo o trabalho de quem educa: "grazie della cura e dell'amore che avete nell'educarli. Nell'aiutarli a tirare fuori la bellezza che hanno dentro". O apelo é por uma educação que estimule a singularidade de cada criança e a expressão criativa em diálogo com a história, a memória e a vida.
Na carta, o Pontífice chama atenção para a necessidade de uma formação contínua: "Tutti, specialmente oggi, nell'era digitale e dell'inteligência artificial, abbiamo bisogno di un'educazione permanente". Para o Papa, preservar um "olhar infantil sobre a realidade" é condição para manter a humanidade enquanto sociedade, sobretudo em tempos marcados por conflitos que ameaçam o futuro comum.
Em referência ao contexto internacional, o texto lembra que, "in questi giorni di grande preoccupazione per le guerre che minacciano il futuro dell'umanità", o aniversário do Popotus é oportunidade para falar diretamente às crianças e, por meio delas, alcançar famílias e educadores. O suplemento, observa o Pontífice, ajuda os pequenos a ler as notícias do mundo num "linguaggio diverso": notícias boas que encorajam e notícias ruins que ensinam a não repetir erros.
Dirigindo-se aos leitores infantis do Popotus, o Papa declara que "restituir al mondo la sua bellezza è possibile" e que as crianças podem ajudar os adultos a reencontrar essa beleza, com "rinnovato stupore" e sem preconceitos. Ele recorda valores a serem preservados desde os primeiros anos: confiança em quem cuida, a linguagem universal do amor, o poder do sorriso, a coragem de pedir perdão e a importância de construir a paz.
O texto faz ainda referência ao ensinamento evangélico citado pelo Pontífice: «Se non vi convertirete e non diventerete come i bambini, non entrerete nel regno dei cieli». A mensagem é interpretada como um convite a manter a chave de visão que a infância oferece — não para regressar ao passado, mas para conservar um instrumento essencial que permite ver o essencial de cada coisa e encontrar respostas criativas mesmo às perguntas mais difíceis.
Como repórter, registro que a carta combina uma advertência tecnológica — sobre a presença e o papel dos chatbots e da inteligência artificial na formação das novas gerações — com um apelo pastoral e educativo dirigido a famílias e escolas. O pronunciamento sustenta a necessidade de mediação humana e de políticas educativas que integrem recursos digitais sem abdicar da transmissão de valores e do cultivo da criatividade.
- Giulliano Martini


