Papa Leoa XIV na Basílica de São Pedro: “Rialcemos das macas, a oração convoca à ação e à paz”

Papa Leone XIV na Basílica de São Pedro: oração como ação e apelo urgente à paz. "Rialziamoci dalle macerie", declarou o Pontífice.

Papa Leoa XIV na Basílica de São Pedro: “Rialcemos das macas, a oração convoca à ação e à paz”

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Papa Leoa XIV na Basílica de São Pedro: “Rialcemos das macas, a oração convoca à ação e à paz”

Basílica de São Pedro — Em vigília de oração pela paz, o Papa Leone XIV e o cardeal Robert Francis Prevost fizeram um apelo claro e direto: a oração não é escape, mas instrumento que educa para a ação e confronta a lógica da violência. A cerimônia, centrada no Santo Rosário, reuniu fiéis em torno de uma mensagem que une fé e responsabilidade cívica.

O cardeal Robert Francis Prevost lembrou que "a prece nos educa a agir. As limitações humanas se juntam, na oração, às possibilidades infinitas de Deus. Pensamentos, palavras e obras rompem assim a cadeia demoníaca do mal e se colocam a serviço do Reino de Deus: um Reino sem espada, sem drone, sem vingança, sem banalização do mal, sem lucro injusto, apenas dignidade, compreensão e perdão".

Na sua fala, o Santo Padre reforçou o diagnóstico: "Temos aqui um dique contra o delírio de onipotência que ao nosso redor se torna cada vez mais imprevisível e agressivo". Em seu pronunciamento, o Pontífice descreveu um quadro de graves desequilíbrios na família humana, em que até "o santo Nome de Deus, o Deus da vida", é arrastado para discursos de morte.

Segundo o Papa, esse processo transforma irmãos e irmãs em inimigos, como se um pesadelo noturno povoasse a realidade de rivalidade e ódio. "Por toda parte se ouvem ameaças, em vez de convites à escuta e ao encontro", afirmou, no que representou um apelo direto às autoridades e às comunidades internacionais.

O Papa sublinhou a consciência do limite de quem reza: "Quem ora tem consciência do próprio limite, não mata nem ameaça a morte". E advertiu: "Quem virou as costas ao Deus vivo fez de si e do poder o ídolo mudo, cego e surdo, sacrificando todo valor e exigindo que o mundo se curve".

O ponto central do discurso foi um chamado à esperança activa: "Levantemos o olhar, rialziamoci das macas. Nada pode encerrar-nos num destino já escrito, nem mesmo num mundo onde os sepulcros parecem faltar, porque se continua a crucificar e aniquilar a vida sem direito e sem piedade". O Pontífice repetiu que a oração é a resposta mais gratuita, universal e disruptiva contra a morte: "Somos um povo que já ressuscita".

O Papa incentivou uma fé prática: "Basta um pouco de fé, uma migalha de fé, caros irmãos e irmãs, para enfrentar juntos, como humanidade e com humanidade, esta hora dramática da história". Em síntese: "A guerra divide, a esperança une. A prepotência pisa, o amor levanta. A idolatria cega, o Deus vivo ilumina".

No final da vigília, o Pontífice agradeceu a presença dos fiéis reunidos junto ao túmulo de São Pedro e nas muitas iniciativas paralelas ao redor do mundo que se somaram ao apelo pela paz. "Mai mais guerra!", concluiu o apelo, reafirmando a posição do Vaticano diante dos conflitos em curso e reforçando que a paz exige tanto a oração quanto medidas concretas de responsabilização política e humanitária.

Relato com base em apuração em Roma, cruzamento de fontes e fiel reprodução das palavras proferidas durante a vigília do Santo Rosário. Mantém-se a verificação dos excertos citados e o acompanhamento das reações institucionais às palavras do Pontífice nas próximas horas.