Alerta na Europa: recorde de infecções sexuais em 2024 com explosão de sífilis e gonorreia
ECDC alerta: em 2024 houve recorde de IST bacterianas na Europa, com explosão de sífilis e gonorreia; prevenção e testes são urgentes.
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Alerta na Europa: recorde de infecções sexuais em 2024 com explosão de sífilis e gonorreia
Por Alessandro Vittorio Romano, Espresso Italia — A Europa sente hoje, como uma maré que sobe sem aviso, um aumento inquietante das infecções sexualmente transmissíveis. O novo relatório do Centro Europeu para a Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) revela que, em 2024, as IST de origem bacteriana atingiram níveis recorde, impulsionadas por um verdadeiro boom de gonorreia e sífilis, e por lacunas crescentes nos testes e na prevenção.
Segundo os dados do ECDC, os casos de gonorreia chegaram a 106.331 em 2024, um aumento de 303% em relação a 2015. As notificações de sífilis mais que dobraram no mesmo período, atingindo 45.577 casos. A clamídia permanece a infecção mais frequentemente reportada, com 213.443 casos, enquanto o linfogranuloma venéreo (LGV) continua circulando, com 3.490 ocorrências registradas.
O tom do relatório é de urgência: o ECDC pede ações imediatas para conter a disseminação, com atenção especial às mulheres em idade fértil. Entre 2023 e 2024 houve um quase triplico no alarme relacionado à sífilis congênita — os casos passaram de 78 para 140, segundo dados de 14 países, um dado que ilumina falhas em cadeias de prevenção que deveriam proteger mães e recém-nascidos.
Bruno Ciancio, chefe da Unidade de Doenças de Transmissão Direta e Preveníveis por Vacinas, sintetiza a gravidade com voz clara: "As IST estão em aumento há 10 anos e atingiram níveis recorde em 2024. Se não tratadas, essas infecções podem causar complicações graves, como dor crônica, infertilidade e, no caso da sífilis, problemas cardíacos ou no sistema nervoso". Ciancio destaca ainda o crescimento quase duplicado dos casos de sífilis congênita entre 2023 e 2024 e reforça medidas simples e eficazes de proteção: uso de preservativo com novos parceiros ou múltiplos parceiros e realização de testes diante de sintomas como dor, secreções ou úlceras.
Os padrões de transmissão, observa o ECDC, não são homogêneos: os homens que fazem sexo com homens continuam a ser o grupo mais afetado de forma desproporcional, com os maiores aumentos a longo prazo de gonorreia e sífilis. Entretanto, a circulação entre populações heterossexuais também cresce, especialmente entre mulheres em idade reprodutiva, elevando o risco de sífilis congênita quando faltam triagem pré-natal, seguimento e tratamento adequados.
Como um observador das estações e dos ciclos humanos, vejo essa onda como um sinal de que os ritmos do cuidado coletivo foram desajustados: falta a colheita atempada de hábitos de prevenção, a respiração regular dos serviços de saúde e a atenção contínua que transforma risco em proteção. Proteger a saúde sexual é um gesto simples e comunitário — um alinhamento de pequenas práticas que impedem consequências permanentes.
Medidas urgentes pedidas pelo ECDC incluem ampliação e facilitação do acesso ao diagnóstico, reforço das campanhas de prevenção, melhoria do rastreamento pré-natal e garantia de tratamento adequado. Em linguagem direta: reforçar laços entre serviços de saúde e população para que a prevenção não seja uma promessa, mas uma prática cotidiana.
Num cenário em que as cidades respiram de modos diferentes após a pandemia, este é um chamado para que a atenção à saúde sexual seja retomada com delicadeza e firmeza — como regar uma raiz que sustenta o bem-estar coletivo.