Câncer de mama reduz em 35% a chance de gravidez; proteção dos ovários é urgente, diz GIM
Câncer de mama reduz em 35% a chance de gravidez; proteger os ovários durante a quimioterapia é crucial, aponta reunião do GIM em Gênova.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Câncer de mama reduz em 35% a chance de gravidez; proteção dos ovários é urgente, diz GIM
Por Alessandro Vittorio Romano — Em meio ao vai e vem das estações humanas, onde a vida segue seu ritmo de sementeira e colheita, surge uma notícia que toca a raiz do projeto de maternidade de muitas mulheres: o câncer de mama está associado a uma redução de cerca de 35% na probabilidade de gravidez em mulheres jovens, em comparação com a população geral.
O dado foi destaque na reunião anual do GIM - Gruppo Italiano Mammella, realizada em Gênova para celebrar 25 anos de coordenação da pesquisa independente sobre o câncer de mama na Itália. O encontro colocou sob evidência a necessidade de estratégias que protejam os ovários das toxidades da quimioterapia e preservem a possibilidade da maternidade após o tratamento.
As estatísticas alimentam a urgência: são mais de 3 mil casos anuais entre mulheres com menos de 40 anos no país, e um aumento do índice de incidência de cerca de 1,6% ao ano entre 2008 e 2016. Esses números não são apenas estatística fria; são o mapa das escolhas interrompidas, dos sonhos que precisam de cuidados médicos e de políticas públicas sensíveis.
A oncologista Lucia Del Mastro, diretora da Clínica de Oncologia Médica do IRCCS San Martino e responsável científica do evento, ressaltou que a expansão das neoplasias mamárias em mulheres jovens "tem provocado mudanças profundas na prática clínica". Entre as intervenções discutidas no congresso está o estudo Promise-GIM6, coordenado em Gênova, que demonstrou ser possível, ao colocar temporariamente os ovários "em repouso" durante a quimioterapia, reduzir o risco de menopausa precoce e preservar a função ovariana.
Na prática, essas estratégias — que incluem a supressão ovariana com agonistas de GnRH e outras medidas de preservação da fertilidade — atuam como um abrigo temporário para as células reprodutivas, como se deixassem as sementes no solo aguardando um inverno menos severo. Guardar essa possibilidade é também proteger a identidade reprodutiva das mulheres, permitindo que o desejo de maternidade não seja uma vítima colateral do tratamento contra o tumor.
O debate promovido pelo GIM mistura ciência com humanidade: além de dados e protocolos, discute-se como oferecer às mulheres um caminho que una cura e qualidade de vida, sem que a escolha entre viver e ser mãe seja um dilema inevitável. A experiência clínica mostra que decisões tomadas no início do percurso terapêutico — em diálogo com ginecologistas, oncologistas e especialistas em reprodução — aumentam as chances de que a maternidade permaneça uma opção real.
Como jornalista que observa a respiração da cidade e os ritmos internos do corpo, vejo essa conversa médica como uma colheita coletiva: precisamos semear políticas de informação, disponibilizar técnicas de preservação e cultivar solidariedade multidisciplinar. O futuro das pacientes jovens passa por práticas clínicas que respeitem tanto a urgência do tratamento quanto as raízes do projeto de vida.
O GIM, que desde 2001 coordena a pesquisa independente sobre o câncer de mama na Itália, reafirma a importância de integrar cuidados oncológicos e reprodutivos. A lição é clara: proteger os ovários hoje pode devolver a possibilidade da maternidade amanhã, e com ela, a continuidade de histórias e afetos que merecem florescer.

