Especialistas pedem fim das 'derrogações' e regras rígidas para cigarros eletrônicos, tabaco aquecido e sachês de nicotina

Especialistas pedem fim das derrogações e regras duras para cigarros eletrônicos, tabaco aquecido e sachês de nicotina na Milan Declaration.

Especialistas pedem fim das 'derrogações' e regras rígidas para cigarros eletrônicos, tabaco aquecido e sachês de nicotina

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Especialistas pedem fim das 'derrogações' e regras rígidas para cigarros eletrônicos, tabaco aquecido e sachês de nicotina

Por Alessandro Vittorio Romano — Na conclusão da European Conference on Tobacco or Health (ECToH), organizada pela LILT (Lega Italiana per la lotta contro i tumori), foi apresentada a Milan Declaration, um manifesto que pede regras duras e uniformes para todos os produtos à base de nicotina. A recomendação é clara: não há mais espaço para a fábula da “redução do dano” como justificativa para manter cigarros eletrônicos, tabaco aquecido e sachês de nicotina em zonas cinzentas regulatórias e fiscais.

Os especialistas traçam um panorama preocupante: a rápida difusão desses novos dispositivos entre jovens está reconfigurando o tempo interno das cidades. Dados apresentados no congresso mostram que cerca de 4 milhões de adolescentes europeus, entre 13 e 15 anos, já usam produtos à base de tabaco, enquanto 4,2 milhões utilizam cigarros eletrônicos. Em diversos países, esses dispositivos já ultrapassam as tradicionais cigarros entre os mais jovens — um fenômeno alimentado por um marketing agressivo que explora lacunas legais e por efeitos da inflação que reduziram o preço real do tabaco em alguns lugares.

“A nicotina corre o risco de voltar a ser normal entre os adolescentes por meio de produtos percebidos como inovadores, tecnológicos ou menos perigosos”, explica Silvano Gallus, pesquisador do Istituto Mario Negri, em Milão, e presidente do comitê científico do ECToH Milano 2026. “O perigo real é formar uma nova geração dependente. Por isso a Milan Declaration pede regras europeias mais fortes, coerentes e atualizadas diante do novo mercado.”

A declaração não fala apenas de saúde — fala de respiração urbana e de ecologia. Cigarros eletrônicos, tabaco aquecido e sachês de nicotina deixam rastro: plásticos, bitucas e detritos eletrônicos que empobrecem as cidades e oneram os cofres públicos. É uma poluição que se espalha como folhas secas ao vento, lembrando que a colheita de hábitos tem impacto também sobre o ambiente.

O documento dirige um apelo às autoridades locais, nacionais e europeias por uma estratégia comum baseada em três pilares:

  • Ampliar as proibições de fumo e de uso de aerossóis a todos os espaços públicos, internos e externos — parques, escolas e instalações de saúde incluídos — para que os centros urbanos tenham uma respiração saudável por padrão.
  • Aplicar normas igualmente rígidas a todas as categorias de produto, fechando lacunas legislativas para cigarros eletrônicos, tabaco aquecido e novos dispositivos com nicotina.
  • Aumentar preços e impostos sobre todos os produtos do tabaco e da nicotina não terapêutica, reduzindo a acessibilidade econômica — sobretudo entre jovens.

Proteger não consumidores significa reduzir atratividade e disponibilidade, implementando políticas de longo prazo que possam garantir uma futura geração livre do tabaco até 2040. Os especialistas veem essa meta como um horizonte possível, se as decisões políticas seguirem o passo da evidência científica e da proteção coletiva.

Como observador do cotidiano italiano, percebo que a luta contra a nicotina é também uma questão de paisagens habituais: é o cuidado de preservar a calma das praças, a clareza do ar em torno das escolas, a integridade dos nossos parques. Evitar que a nicotina volte a ser normal entre os jovens é cultivar raízes de bem-estar para o futuro — uma colheita que começa na regulamentação, passa pela educação e floresce na cidade que respiramos juntos.