Alerta no Lazio: crianças em coma por consumo de álcool aumentam e preocupação cresce

Casos de coma etílico em crianças no Lazio dobraram em um ano; preocupações sobre binge drinking e queda da idade dos pacientes aumentam.

Alerta no Lazio: crianças em coma por consumo de álcool aumentam e preocupação cresce

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Alerta no Lazio: crianças em coma por consumo de álcool aumentam e preocupação cresce

Por Alessandro Vittorio Romano — Na respiração quente do verão italiano, onde o sol costuma marcar um ritmo de festas e encontros, surge uma sombra inquietante: pequenos corpos abatidos pela bebida. No Lazio, emergem relatos de crianças entre 6 e 14 anos socorridas em coma etílico, um fenômeno que dobrou em apenas um ano. Eram sete casos em maio de 2025 e subiram para 14 no mesmo mês de 2026, segundo dados da Azienda regionale emergenza sanitaria.

Os números, embora ainda baixos em escala absoluta, carregam a densidade de um alerta: não é apenas o calor que aumenta os riscos nesta estação, mas também o consumo excessivo de álcool entre os mais jovens — o chamado binge drinking — visto cada vez mais como uma forma de “divertimento”.

Se ampliamos o olhar para a faixa etária entre 15 e 64 anos, os atendimentos em coma etílico também cresceram, passando de 800 em maio de 2025 para 831 em maio de 2026. É um espelho que reflete hábitos sociais e fragilidades coletivas.

“Temo que os jovens os tenhamos deixado um pouco sós”, observa Narciso Mostarda, diretor da Ares, no seu segundo ano à frente da entidade regional. A frase soa como uma poda necessária: jovens como árvores jovens que precisam de sombra, não apenas de julgamento. “É fácil responsabilizá-los por tudo o que acontece; eles são o reflexo da sociedade que lhes oferecemos”, acrescenta.

Do ponto de vista clínico, a percepção é igualmente séria. O Dr. Sebastian Cristaldi, chefe do pronto-socorro pediátrico do Bambino Gesù no Gianicolo, aponta que os casos de coma etílico entre crianças não são numerosos em termos absolutos — dois em 2023, dois em 2024 e um em 2025 no hospital —, mas os episódios de intoxicação alcoólica são mais frequentes e em modesto crescimento: entre 49 e 53 por ano, com 4 a 5 episódios apenas no mês de maio.

Há ainda uma subnotificação: muitas vezes, após uma farra etílica, o jovem vomita em casa e nunca chega ao pronto-socorro, de modo que os dados oficiais podem subestimar a frequência real. Outro sinal preocupante é a redução da idade média dos pacientes: onde antes os atendidos tinham entre 14 e 17 anos, agora se registram quadros a partir dos 12 anos, predominando os meninos (55%) sobre as meninas (45%), e aproximadamente um em cada dez pacientes também havia usado drogas.

Como observador que acredita nas raízes do bem-estar, volto a insistir: este é um chamado para recolhermos hábitos e hábitos sociais como quem colhe uma safra. Prevenção, escuta ativa e espaços seguros para encontros devem caminhar lado a lado com intervenções sanitárias. O verão pode e deve ser um tempo de descoberta, não um inverno para a saúde infantil.