Após 2ª dose da Pfizer, Marta relata cheratoendotelite persistente desde 2021
Marta relata que, após a 2ª dose da Pfizer em 2021, desenvolveu herpes zoster e desde então enfrenta uma cheratoendotelite persistente.
RESUMO ✦
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Após 2ª dose da Pfizer, Marta relata cheratoendotelite persistente desde 2021
Sou Alessandro Vittorio Romano, e trago a história de Marta com a delicadeza de quem vê como as estações marcam o corpo. Em meados de junho de 2021, logo após receber a segunda dose da vacina Pfizer, começou para ela um percurso clínico que, quase cinco anos depois, ainda não encontrou um desfecho definitivo.
Nas semanas seguintes à vacinação, entre o final de junho e início de julho de 2021, Marta apresentou um quadro de herpes zoster na região superior direita da testa, próximo à raiz do cabelo — algo novo em sua história clínica. O médico de família confirmou a suspeita e iniciou tratamento imediato com aciclovir.
Ao término desse ciclo, surgiram dores e incômodos no olho direito. Uma consulta oftalmológica no fim de julho registrou apenas uma conjuntivite, enquanto um dermatologista aventou um possível envolvimento nervoso e ajustou a terapêutica para essa hipótese.
O quadro complicou-se em fim de agosto de 2021, com um episódio agudo de embaçamento visual do olho direito. No pronto-socorro foi diagnosticada uma ceratite herpética, e Marta iniciou um novo ciclo de antivirais, seguido de acompanhamento especializado contínuo. Mesmo com o tratamento, a inflamação não foi totalmente resolvida, exigindo outro curso terapêutico; nessa fase ela chegou a perder temporariamente cerca de 4–5 dioptrias, posteriormente recuperadas.
O problema, porém, nunca se apagou por completo. Em dezembro de 2022 houve uma recidiva mais severa, documentada em laudos e correspondências médicas. Diante da gravidade e da cronicidade, Marta foi encaminhada ao Centro de Córnea de um hospital de referência em Milão, onde os especialistas diagnosticaram uma cheratoendotelite imunitária herpética ativa.
Desde então, a rotina terapêutica tem sido baseada em antivirais sistêmicos e em tratamento com corticóides tópicos. A suspensão ou redução dos corticoides provoca rápida reativação da inflamação, com piora da visão e necessidade de intervenções urgentes, mantendo um risco real de comprometimento funcional ocular.
Hoje, passados quase cinco anos do primeiro sintoma, o quadro clínico de Marta permanece sem melhora significativa, e ela continua em terapias de manutenção. Este relato não pretende aferir causalidade definitiva entre a vacinação e a doença — é antes uma narrativa pessoal, que nos lembra como o corpo é uma paisagem em mutação, sensível aos ciclos e às reações que surgem ao longo do tempo.
Como observador das relações entre clima, saúde e cotidiano, vejo neste caso a urgência de ouvir experiências individuais com empatia: cada corpo guarda uma estação própria, uma respiração que pode ser alterada por um evento. A história de Marta é um apelo para acompanhamento atento, documentação clínica e cuidado compassivo com quem vive a incerteza de uma doença crônica.