Mistura entre setor público e privado na saúde cria dilemas, alerta Del Vecchio (Bocconi)
Del Vecchio (Bocconi) alerta que a mistura público-privado na saúde cria problemas para ambos e exige soluções estruturais para o SSN.
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Mistura entre setor público e privado na saúde cria dilemas, alerta Del Vecchio (Bocconi)
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Por Alessandro Vittorio Romano, Espresso Italia
Em um encontro que soou como uma conversa sobre o tempo interno do corpo e a respiração da cidade, Mario Del Vecchio, afiliado professor no CeRGAS SDA Bocconi, fez um alerta claro sobre a convivência entre o setor público e o privado na assistência à saúde. Participando do evento 'Innovazione e sostenibilità per il futuro del Ssn', promovido por Clariane Italia em Roma com a parceria do Centro de Pesquisas sobre Gestão do Cuidado Sanitário e Social da Universidade Bocconi, Del Vecchio disse que muitas vezes é difícil distinguir as responsabilidades e as identidades dessas duas esferas — e que essa mistura público-privado acaba criando problemas para ambas.
Na fala, que reuniu instituições, acadêmicos e operadores do setor com o objetivo de abrir um debate sobre as reformas estruturais urgentes para o Serviço Sanitário Nacional (SSN), ele observou que «é difícil distinguir entre a componente pública e privada na sanità. Questa commistione crea problemi ad entrambi». Em palavras traduzidas ao tom do dia a dia, o que surge é um terreno pantanoso onde hospitais públicos se veem convidados a aventurar-se na oferta de serviços de caráter privado, enquanto a oferta de serviços precisa ser adaptada à geografia do sistema — como se a paisagem do cuidado tivesse de se curvar aos caminhos já traçados por estruturas distintas.
Essa observação traz à tona uma tensão essencial: quando o público se aproxima do mercado privado, nem sempre os ritmos, valores e finalidades caminham juntos. Os hospitais públicos, segundo Del Vecchio, são empurrados para modelos que pedem agilidade financeira e diversificação de receitas; por outro lado, o privado precisa moldar sua presença à malha territorial, muitas vezes pensada para garantir universalidade e proximidade do cuidado. O resultado é uma colheita de desafios organizacionais e éticos que exigem uma colheita de soluções compartilhadas.
Como um observador atento às estações da vida urbana, percebo nesta constelação um convite a repensar raízes e ritos: é preciso distinguir papéis sem segregar intenções, harmonizar oferta sem apagar identidade. A inovação e a sustentabilidade discutidas no evento são, portanto, mais do que termos técnicos; são a promessa de um desenho onde a paisagem do cuidado se renova sem sacrificar acessibilidade e coesão territorial.
O debate aberto em Roma aponta para a urgência de medidas estruturais que recolham experiências de ambos os mundos — público e privado — e as traduzam em políticas que respeitem a geografia social do país. Só assim será possível cultivar um outono de estabilidade depois das colheitas agitadas por mudanças recentes: onde hospitais, gestores e comunidades encontrem um ritmo comum, sem confundir fronteiras, mas permitindo cooperação verdadeira.
Em síntese, a mensagem de Del Vecchio ecoa como um chamado para que a saúde pública respire com clareza: preservar identidades, articular ofertas e reinventar mecanismos de cooperação será a trilha para um SSN mais resiliente e sensível ao território.
Alessandro Vittorio Romano


