Dia Mundial Sem Tabaco: OMS alerta para avanço da dependência por nicotina entre jovens
OMS alerta: proteção urgente aos jovens contra tabaco e nicotina; e‑cigs e sachês crescem, mantendo consumo estável mesmo com queda do cigarro tradicional.
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Dia Mundial Sem Tabaco: OMS alerta para avanço da dependência por nicotina entre jovens
Por Alessandro Vittorio Romano, Espresso Italia — Às vésperas do Dia Mundial Sem Tabaco (31 de maio), a OMS lança um apelo urgente: é preciso proteger as novas gerações da dependência do tabaco e de produtos à base de nicotina. A imagem que se forma é como uma paisagem jovem em que brotam hábitos que podem marcar o “tempo interno” do corpo por anos.
A nível global, cerca de 40 milhões de crianças entre 13 e 15 anos usam produtos contendo tabaco. Entre os jovens, observa-se um crescimento constante do uso de cigarros eletrônicos e de sachês de nicotina, mudanças que mantêm estável o consumo total de nicotina mesmo diante da redução do cigarro tradicional.
Na Região Europeia, os dados da OMS Europa são especialmente preocupantes: a área lidera o consumo mundial de tabaco. Ali vive 40% de todas as mulheres fumantes do planeta e cerca de 4 milhões de adolescentes (13-15 anos) consomem produtos do tabaco. Entre as jovens, as taxas de consumo nessa faixa etária são as mais altas do mundo. O uso de cigarros eletrônicos também é o mais elevado globalmente na região, afetando aproximadamente 4,2 milhões de adolescentes.
No total, cerca de 173 milhões de adultos na Região Europeia consomem produtos do tabaco, que são responsáveis por mais de 1,2 milhão de mortes anuais na área — um retrato duro, como uma paisagem afetada por uma longa estiagem de saúde pública.
Em Itália, o hábito de fumar cigarros tradicionais segue em queda, mas o quadro geral de consumo de produtos com nicotina permanece praticamente estável, em razão da difusão de cigarros eletrônicos e de produtos de tabaco aquecido. É o que mostram as pesquisas do sistema de vigilância Passi e do Centro Nazionale Dipendenze e Doping do Instituto Superiore di Sanità.
O fenômeno toca especialmente as mulheres, mas abrange diretamente jovens adultos e adolescentes: mais de 850 mil estudantes entre 14 e 17 anos (37,1%) e cerca de 93 mil entre 11 e 13 anos (5,9%) relataram ter usado, no último mês, produtos contendo tabaco ou nicotina. O cigarro eletrônico é o produto mais utilizado — 5,2% entre os 11-13 anos e 30,8% entre os 14-17 anos — com maior prevalência entre as garotas em ambas as faixas etárias.
Entre os sinais mais inquietantes estão o aumento do uso diário entre os mais jovens e o policonsumo, ou seja, o consumo combinado de diferentes tipos de produtos. Também cresce a experimentação de sachês de nicotina entre 14-17 anos: 9,1% já afirmam tê-los provado ao menos uma vez na vida, contra 8,2% em 2025 e 3,8% em 2024. Pela primeira vez nesta pesquisa, o uso nos últimos 30 dias foi monitorado: 3,3% dos estudantes relataram consumo recente, com maior prevalência entre os meninos (4,5%) do que entre as meninas (2,1%).
O comportamento dos adultos também mostra transformação: entre 18 e 69 anos, o uso exclusivo de cigarros tradicionais caiu de 30% em 2008 para 18% em 2025. No entanto, quando se considera o consumo de todos os produtos com nicotina, a redução é bem menor — de 30% para 27% no mesmo período — como se o sutil sopro de inovações de produto tivesse replantado velhos hábitos em terreno novo.
O convite da OMS para este Dia Mundial Sem Tabaco é um chamado para políticas que protejam crianças e adolescentes: regulamentação, restrição ao marketing, controle de sabores e medidas de acesso que interrompam o caminho para a dependência. Em uma paisagem social, pequenas medidas de proteção equivalem às barreiras que preservam um bosque jovem contra a erosão — cuidar hoje da respiração das futuras gerações.
Como observador dos ritmos da vida italiana, vejo que tratar a questão do tabaco é também cultivar raízes de bem-estar: proteger os jovens é semear hábitos que permitam um despertar tranquilo para as estações da vida.