Prescrições em excesso aumentam filas de espera: medidas para reduzir exames inúteis

Excesso de prescrições amplia filas de espera; Ministério da Saúde e ISS lançam recomendações para reduzir exames inúteis e o sobrediagnóstico.

Prescrições em excesso aumentam filas de espera: medidas para reduzir exames inúteis

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Prescrições em excesso aumentam filas de espera: medidas para reduzir exames inúteis

As longas filas para consultas e exames na saúde pública italiana não nascem apenas da escassez de pessoal: muitas vezes são alimentadas por um excesso de pedidos médicos — fruto de uma prudência ampliada mais do que de reais necessidades clínicas. Esse fluxo de solicitações aumenta o tempo de espera de quem precisa urgentemente de atendimento, promove o sobrediagnóstico e consome recursos que poderiam ser destinados com mais eficiência.

Para conter essa maré de prescrições excessivas, o Ministério da Saúde e o Istituto Superiore di Sanità (ISS), em parceria com sociedades científicas, estão elaborando e difundindo as “Raccomandazioni di Buona Pratica Clinico-Assistenziale”. São instrumentos práticos pensados para guiar médicos de família, especialistas e os sistemas de marcação rumo a um uso mais apropriado dos exames clínicos, reduzindo desperdício e filas.

Como explicou o ministro da Saúde, Orazio Schillaci, a excesso de solicitações e o elevado índice de inapropriação obrigam a agir: muitas vezes, diz ele, é mais simples aceitar um pedido inadequado do que explicá-lo e recusá-lo. Esse movimento, validado por quem cuida, vai direto ao ponto: medidas de prescrição mais criteriosa podem ser uma semente para encurtar as listas e voltar a priorizar quem tem real urgência.

Entre os documentos já divulgados — cerca de vinte estão disponíveis online e outros estão em preparação — há recomendações específicas sobre exames frequentemente envolvidos no over-use. A ecografia de abdome completo, por exemplo, figura entre as mais requisitadas e também entre as que costumam ser pedidas sem um suspeito diagnóstico claro ou repetidas sem justificativa. Nesses casos, além de inútil, o exame pode ser contraproducente: a descoberta de achados incidentais desencadeia cadeias de novas investigações que, muitas vezes, não beneficiam o paciente.

Outro foco é a Pet PSMA para o diagnóstico do câncer de próstata. Observa-se um uso crescente fora das indicações baseadas em evidências, com um descompasso entre prática clínica e literatura científica: recorre-se à tecnologia em substituição ao fluxo clássico de imagens convencionais. O uso inadequado não só sobrecarrega o sistema e aumenta a chance de sobrediagnóstico, como expõe pacientes a radiações evitáveis.

Essas recomendações não têm tom punitivo, mas prático — são mapas que orientam quando um exame acrescenta valor decisivo e quando ele pode esperar. Pensar a saúde como uma paisagem que respira implica também reconhecer que os recursos são um solo a ser cultivado com critério: cortar o excesso de solicitações é permitir que floresça uma atenção mais rápida, justa e centrada nas necessidades reais.

Na vida cotidiana dos consultórios e centros de diagnóstico, a mudança pedida é de gesto e cultura: ensinar o paciente, apoiar o clínico, ajustar os sistemas de marcação. Assim, ao afinar a prescrição, reduz-se o tempo de espera e restabelece-se uma boa respiração no sistema de saúde — como um ritmo sazonal que devolve ao corpo social sua capacidade de cuidar com precisão e humanidade.

Alessandro Vittorio Romano — Espresso Italia