Smog e ondas de calor ameaçam a saúde dos dentes, alertam periodontologistas em Rimini

Estudos indicam que smog e ondas de calor aumentam o risco de parodontite; saiba como poluição e calor afetam a saúde oral.

Smog e ondas de calor ameaçam a saúde dos dentes, alertam periodontologistas em Rimini

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Smog e ondas de calor ameaçam a saúde dos dentes, alertam periodontologistas em Rimini

Por Alessandro Vittorio Romano — Em meio à respiração da cidade e ao ritmo mutável das estações, surge um alerta digno de atenção: o ambiente pode estar corroendo mais do que nossas paisagens — pode estar afetando também a saúde oral. Especialistas da SIDP (Sociedade Italiana de Parodontologia e Implantologia), reunidos em Rimini para o 24º congresso nacional durante a Giornata Mondiale della Salute Orale, destacaram evidências científicas que ligam poluição atmosférica e ondas de calor a um aumento das doenças periodontais.

Segundo Leonardo Trombelli, presidente da SIDP e professor de Parodontologia na Universidade de Ferrara, duas análises publicadas no Journal of Clinical Periodontology e no British Dental Journal mostram que a exposição ao PM2.5 e o aquecimento climático podem elevar a incidência de parodontite. Os estudos indicam um aumento do risco de até 9% para cada incremento anual de 10 μg/m³ de PM2.5.

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Um levantamento realizado na China com mais de 13.000 participantes, citado no Journal of Clinical Periodontology, revelou que a exposição crônica ao particulado fino está associada a maior ocorrência de parodontite. Os mecanismos sugeridos não são apenas físicos: o material particulado pode depositar-se nos tecidos orais ou ser deglutido, promovendo estresse oxidativo, dano ao DNA das células epiteliais orais e uma amplificação da resposta inflamatória, tanto local quanto sistêmica.

Os especialistas explicam que o particulado também pode alterar a função salivar, reduzindo sua produção e deslocando o microambiente oral para um pH mais ácido e condições de menor oxigenação — um solo fértil para a proliferação de bactérias patogênicas. Em paralelo, como enfatizado no British Dental Journal, as ondas de calor e o aumento das temperaturas favorecem a desidratação e reduzem o fluxo salivar, além de elevar o estresse fisiológico. O resultado é um acúmulo mais rápido do biofilme bacteriano e um agravamento da inflamação gengival.

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Essas evidências preliminares sugerem que poluição atmosférica e mudanças climáticas podem aumentar a suscetibilidade individual à parodontite, tornando o cavo oral mais vulnerável aos agentes infecciosos. No cenário do congresso, cujo tema é "Less is more", há um convite explícito para repensar práticas: reduzir a invasividade terapêutica, conter a invalidez associada às doenças periodontais e cultivar uma sensibilidade ambiental que reconheça a saúde oral como parte integrante da saúde do planeta e das populações.

Como quem acompanha a colheita dos hábitos humanos, proponho algumas atitudes sensíveis ao ritmo do corpo e do clima: manter hidratação adequada nos dias quentes, reforçar a higiene oral e consultas periodontais, e adotar medidas individuais e coletivas para reduzir a exposição ao smog — desde evitar áreas de tráfego intenso até apoiar políticas que diminuam as emissões de PM2.5. A saúde bucal, afinal, é um reflexo do tempo interno do corpo e da respiração da cidade.

Rimini e a comunidade científica nos lembram que a proteção dos dentes passa também pela proteção do ambiente: cuidar do ar é cuidar do sorriso.

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