Treinar mente e emoções ajuda a manter o cérebro em forma, dizem pesquisas da SISSA
Pesquisas da SISSA mostram que treinar a mente e reconhecer emoções preserva funções cognitivas em maiores de 65 anos.
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Treinar mente e emoções ajuda a manter o cérebro em forma, dizem pesquisas da SISSA
TRIESTE, 01 setembro 2026 — Duas pesquisas lideradas no laboratório de Raffaella Rumiati, da Scuola Internazionale Superiore di Studi Avanzati (SISSA) de Trieste, reforçam uma ideia que vai além dos números: cuidar do pensamento e das sensações é como cultivar um jardim interior que mantém o cérebro fértil com o passar dos anos. Publicados nas revistas Neuropsychology e Brain Sciences, os estudos mostram que tanto a reserva cognitiva quanto a forma como reconhecemos e interpretamos as emoções são peças-chave para preservar as capacidades cognitivas em pessoas com mais de 65 anos.
Os trabalhos assinaram, entre as primeiras autoras, Elisabetta Pisanu e Stefania Lucia. A equipe avaliou as respostas a estímulos de um grupo de adultos over 65 com o objetivo de “identificar os fatores que contribuem para manter por mais tempo as capacidades mentais”, nas palavras de Rumiati. A abordagem foi ampla: desde o histórico educacional e profissional até as atividades de lazer que compõem aquilo que os pesquisadores chamam de reserva cognitiva — o estoque de recursos acumulados ao longo da vida.
O primeiro estudo confirmou que quem colheu mais experiências educativas, teve trajetórias profissionais desafiadoras e manteve um tempo livre repleto de atividades estimulantes apresenta melhores desempenhos em tarefas de linguagem. Em termos práticos, isso se traduz em maior eficácia na expressão verbal e em resultados superiores nas provas que avaliam funções linguísticas. É como se a prática constante tivesse criado trilhas bem marcadas no terreno cerebral, facilitando a passagem da palavra e o trabalho da memória.
O segundo trabalho volta o olhar para as emoções: o modo como as pessoas reconhecem sentimentos próprios e alheios, e a habilidade de interpretar essas pistas emocionais, impacta a eficiência dos processos cognitivos durante o envelhecimento. Saber nomear e ler uma emoção não é apenas uma competência social; é um exercício que modula atenção, memória e tomada de decisão — peças do mesmo ecossistema mental que queremos proteger.
Como tradutor sensível dessas descobertas para o cotidiano, vejo aqui um convite simples e bonito: investir em educação contínua, aceitar desafios profissionais que estimulem o raciocínio e cultivar um tempo livre ativo — ler, conversar, aprender um instrumento, praticar um hobby social — são pequenas colheitas que abastecem a reserva cognitiva. Ao mesmo tempo, dedicar atenção à literacia emocional — reconhecer, nomear e acolher sentimentos — é como arejar o solo onde crescem as cognições.
Em linguagem de quem acompanha o ritmo das estações humanas, essas pesquisas lembram que o cérebro envelhece melhor quando vive numa paisagem rica: a respiração da cidade, as rotinas que nos estimulam, e a colheita de hábitos que semeamos ao longo da vida atuam como proteção. As autoras e a equipe da SISSA trazem, assim, uma pauta prática para quem busca envelhecer com autonomia e prazer — uma combinação de saberes, afeto e experiências que nutrem o pensamento e a emoção.
Redação Espresso Italia — Alessandro Vittorio Romano

