Aupi: o cuidado com pessoas com deficiência não pode recair apenas sobre as famílias

AUPI alerta: cuidado de pessoas com deficiência não pode recair só sobre as famílias; é preciso serviços públicos integrados e apoio multidisciplinar.

Aupi: o cuidado com pessoas com deficiência não pode recair apenas sobre as famílias

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Aupi: o cuidado com pessoas com deficiência não pode recair apenas sobre as famílias

ROMA, 01 de setembro de 2026 — Em reação à tragédia ocorrida em Pietralata, Roma, a Associação Unitária dos Psicólogos Italianos (Aupi) lançou um apelo claro: o cuidado de pessoas com deficiência grave não pode ficar exclusivamente nas mãos das famílias. Ivan Iacob, secretário-geral da Aupi, lembra que quando um filho ou uma filha nasce com necessidades especiais, essa condição se entranha na rotina de toda a casa — na respiração da cidade doméstica, nos horários, nas renúncias e nas pequenas e grandes dores que atravessam o tempo.

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“Quando em uma família há um filho com uma deficiência grave, essa condição entra inevitavelmente na vida de todos. Há o cansaço cotidiano da assistência, as preocupações, as renúncias, mas também uma dor que pode mudar com o tempo. Por isso, ao lado da pessoa com deficiência, devemos aprender a ver e apoiar também sua família”, afirmou Ivan Iacob em nota.

Para Iacob, profissionais como psicólogos, médicos, educadores e os serviços locais têm um papel central: não apenas para maximizar as capacidades e a autonomia da pessoa com deficiência, mas também para acompanhar os pais e cuidadores na complexa jornada de aceitação e na construção de uma vida com qualidade. Contudo, ressaltou ele, não é sustentável imaginar que essa tarefa fique apenas sobre a resiliência familiar.

As recursos públicos existem, observa a Aupi, mas são frequentemente insuficientes, fragmentados e cercados por burocracia exaustiva — barreiras que acabam por impedir que o suporte chegue de modo ágil e contínuo às famílias. Em muitos casos, a ajuda formal se assemelha a ilhas isoladas numa paisagem vasta, quando o que se precisa é de pontes e redes integradas.

Ao falar sobre a tragédia de Pietralata, a mensagem da Aupi se converte em um convite à reflexão coletiva: é preciso desenhar serviços territoriais que trabalhem em conjunto — saúde, educação, assistência social — como raízes que sustentam a árvore do bem-estar. Psicólogos e equipes multidisciplinares podem oferecer intervenções que aliviem o desgaste emocional, promovam estratégias de cuidado e fortaleçam a autonomia, mas isso exige políticas claras, investimento e um cuidado que respire junto das famílias, não acima delas.

Enquanto observador do cotidiano, eu penso na cena doméstica como uma paisagem que muda: há estações de maior colheita, outras de esgotamento. Apoiar famílias de pessoas com deficiência é ajudar a equilibrar esse tempo interno, garantindo que não sejam forçadas a carregar sozinhas o inverno do cuidado. A Aupi pede, portanto, por uma resposta pública e coordenada, capaz de transformar pequenos gestos de suporte em uma verdadeira rede de proteção.

Em suma, a voz dos psicólogos aponta para uma verdade simples e humana: solidariedade institucional não é luxo, é condição para que a vida — de quem tem deficiência e de quem cuida — possa florescer com dignidade.

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