Mais de 50 mil bitucas de cigarro recolhidas em 12 anos nas praias italianas, aponta estudo

Estudo revela 50.053 bitucas de cigarro nas praias italianas (2014-2026). Plástico lidera; ação coletiva no evento Spiagge e Fondali Puliti.

Mais de 50 mil bitucas de cigarro recolhidas em 12 anos nas praias italianas, aponta estudo

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Mais de 50 mil bitucas de cigarro recolhidas em 12 anos nas praias italianas, aponta estudo

Uma radiografia clara e inquietante do litoral italiano: em 12 anos de monitoramentos, de 2014 a 2026, foram catalogadas 50.053 bitucas de cigarro em 653 transectos, segundo o relatório Beach Litter divulgado por Legambiente. São, em média, 77 bitucas a cada 100 metros de faixa costeira — um sinal luminoso que, infelizmente, revela também uma sombra persistente de descuido.

As bitucas de cigarro ocupam o segundo lugar no ranking dos itens mais encontrados nas praias, atrás apenas dos fragmentos de plástico (61.785 itens). No conjunto dos chamados “resíduos de fumo” — que englobam também isqueiros, maços e embalagens — as bitucas representam 87% dos 57.099 itens contabilizados.

O panorama mais amplo do estudo é ainda mais contundente: ao todo, foram monitorados 512.934 resíduos ao longo dos 653 transectos, com aproximadamente 80% desse total composto por plástico. A média registrada é de 785 resíduos a cada 100 metros de praia, número que ilumina a dimensão do desafio da poluição marinha e costeira.

Com esse diagnóstico, Legambiente convoca para ação coletiva e responsabilidade social: a 36ª edição de Spiagge e Fondali Puliti ocorrerá entre os dias 10 e 12 de abril, com parceria principal da Sammontana, apoio da Traghettilines e parceria técnica da Erion Care. A campanha busca denunciar a incúria, fortalecer a prática da coleta seletiva e promover uma gestão mais sustentável dos resíduos, protegendo o ecossistema marinho e iluminando caminhos para políticas eficazes.

Serão realizadas mais de 80 iniciativas em 16 regiões, organizadas por núcleos e sedes regionais de Legambiente, envolvendo voluntários de todas as idades na limpeza de praias, fundos marinhos, foz de rios e córregos. É um movimento que semeia engajamento local e constrói legado: pequenos atos reunidos criam horizontes mais limpos.

Giorgio Zampetti, diretor-geral de Legambiente, lembra que a dispersão de resíduos em praias e mares é uma emergência que exige respostas concretas: redução do uso único, campanhas de educação ambiental, controles e penalidades efetivas para quem abandona bitucas e outros dejetos. Zampetti ressalta ainda a importância da plena aplicação da diretiva europeia SUP 2019/904, que prevê a Responsabilidade Estendida do Produtor (EPR) para o tabaco, obrigando fabricantes a custear a gestão dos resíduos, incluindo limpeza, transporte e tratamento das bitucas.

Ao Estado, Legambiente pede que defina rapidamente instrumentos e acordos para ativar a EPR do tabaco, transformando obrigação normativa em prática efetiva nas praias e nas marés. É um pedido por medidas que conectem política, indústria e cidadania em torno de soluções tangíveis.

Como curadora de progresso, vejo aqui uma janela de oportunidade: cada bituca recolhida é uma pequena lâmpada acesa contra a indiferença. Ao participar de ações como Spiagge e Fondali Puliti, voluntários não só removem lixo, mas começam a tecer novas normas sociais — um renascimento cultural que protege a vida marinha e cultiva responsabilidade coletiva.