Boom de carros elétricos na UE: +29,7% em 2025, mas ainda minoria nas estradas

Crescimento de 29,7% nas matrículas de carros elétricos na UE em 2025, mas BEV ainda são 2,9% da frota europeia.

Boom de carros elétricos na UE: +29,7% em 2025, mas ainda minoria nas estradas

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Boom de carros elétricos na UE: +29,7% em 2025, mas ainda minoria nas estradas

Por Marco Severini – Espresso Italia

Bruxelas — Os sinais de aceleração no mercado europeu mostram-se claros, mas a transição do parque automotivo permanece um xadrez de avanços e limitações. Segundo dados do Eurostat, em 2025 as matrículas de carros totalmente elétricos (BEV) cresceram 29,7% em relação ao ano anterior, enquanto as híbridas plug-in registraram um salto de 34,2%. Trata‑se de um movimento notável, porém insuficiente para alterar de forma imediata a composição geral da circulação.

O levantamento revela que, na UE, já circulam quase 7,6 milhões de carros elétricos, um total 151 vezes superior ao de 2013 e cerca de sete vezes maior que em 2020. Mesmo assim, os BEV correspondem a apenas 2,9% do parque automotivo europeu, que soma mais de 260 milhões de veículos. A discrepância entre crescimento percentual e penetração absoluta ilustra bem a resistência estrutural que a transição enfrenta.

No campo das novas matrículas, o motor a gasolina ainda domina: em 2025, 65,7% dos veículos recém-registrados na União Europeia são movidos a gasolina (incluindo híbridos). Veículos com combustíveis alternativos somam 20,5% das matriculações. Apenas a Dinamarca ultrapassou a maioria nas novas matrículas alternativas, com 67,8%, seguida por Países Baixos, Finlândia e Suécia — pontos no tabuleiro onde incentivos, infraestrutura e políticas públicas formaram um eixo de influência favorável.

A Itália apresenta um quadro de contrastes dignos de uma análise geopolítica cautelosa: ostenta o maior índice de motorização da Europa, com 709 automóveis por mil habitantes, e mais de 41 milhões de veículos, ficando atrás apenas da Alemanha no tamanho da frota. No entanto, a transição para fontes alternativas evolui mais lentamente: apenas 11% do parque italiano é composto por veículos de alimentação alternativa. É relevante observar que nas novas matrículas italianas os veículos alternativos já superaram o diesel, indicando um movimento de mercado que, embora tardio, se orienta para uma nova configuração.

Os freios a esse avanço são conhecidos e persistentes: incentivos nacionais desiguais, preços ainda elevados, uma percepção de insuficiência da rede de recarga e a temida range anxiety — o receio de ficar sem carga antes de encontrar um posto. Esses elementos formam os alicerces frágeis da diplomacia industrial que cada governo deve reconstruir para que o desenho da mobilidade se transforme numa tectônica de poder sustentável.

Em suma, a direção de marcha está traçada: as vendas voltaram a crescer e, ano após ano, o espaço dos veículos elétricos nas estradas europeias aumenta. Mas no tabuleiro mais amplo da mobilidade, tratam-se de avanços localizados, que ainda não substituem, em escala, os motores tradicionais. A transição é agora uma partida de estratégia longa, em que políticas coerentes, investimentos em infraestrutura e confiança do consumidor definirão os próximos lances.