Khan pressiona Starmer: promessa de retorno à UE sem novo referendo

Sadiq Khan pressiona Keir Starmer a prometer o retorno do Reino Unido à UE sem novo referendo, citando perdas econômicas e instabilidade geopolítica.

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Khan pressiona Starmer: promessa de retorno à UE sem novo referendo

Por Marco Severini — Em Bruxelas, com a frieza de um tabuleiro onde cada peça traduz influência, o prefeito de Londres Sadiq Khan delineou hoje uma estratégia política clara: pressionar o líder trabalhista e primeiro‑ministro em exercício, Keir Starmer, a assumir no programa eleitoral o compromisso de levar o Reino Unido de volta à União Europeia — sem recorrer a um segundo referendo.

Em entrevista exclusiva ao jornal italiano La Repubblica, Khan fez uma leitura severa da última década marcada pela Brexit. A seu ver, os efeitos deletérios para Londres e para o país são tangíveis em múltiplas frentes — econômica, social e cultural — e exigem um movimento decisivo no tabuleiro político.

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Para embasar sua argumentação, o prefeito citou estudos recentes do think tank National Institute of Economic and Social Research, em parceria com o banco Goldman Sachs, segundo os quais a economia britânica teria crescido cerca de 10% a mais na última década se a saída da UE não tivesse ocorrido. Khan também apresentou números locais: em 2019 a capital abrigava aproximadamente 840 mil cidadãos europeus; hoje são cerca de 700 mil. A cidade teria perdido cerca de 30 bilhões de libras em valor econômico e 230 mil empregos atribuídos, em parte, às mudanças pós‑Brexit.

Na leitura analítica de Khan, esses dados compõem uma narrativa clara: os alicerces da diplomacia econômica do Reino Unido foram fragilizados, e a recuperação exige realinhar-se aos mecanismos europeus. Sua proposta de roteiro é pragmática e em dois tempos: primeiro, um trabalho parlamentar que devolva o país à União Aduaneira e ao Mercado Único; depois, uma campanha eleitoral do Partido Trabalhista com compromisso explícito — um voto no Labour seria, segundo Khan, um voto para o retorno à UE, sem a necessidade de uma nova consulta popular.

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O prefeito também invoca o cenário internacional como fator catalisador. A vitória de Donald Trump em novembro de 2024 e a política externa mais errática dos Estados Unidos, com imposição de tarifas e uma volatilidade comercial crescente, teriam enfraquecido a chamada "special relationship". Em termos de realpolitik, reforça Khan, as tectônicas de poder mudaram: o Reino Unido precisa reavaliar suas alianças e pontos de ancoragem comerciais.

Como analista que observa os movimentos de longo prazo, traduzo a proposta de Khan como um intento de redesenhar fronteiras invisíveis de influência: voltar à União Europeia seria deslocar a peça central do jogo britânico de volta para um eixo continental que oferece previsibilidade regulatória e acesso preferencial a mercados. Resta agora ver se o líder trabalhista aceitará mover essa peça no tabuleiro eleitoral — uma decisão cujo impacto reverberará na estabilidade do Reino Unido e em sua posição estratégica na arquitetura europeia.

Fonte: entrevista de Sadiq Khan a La Repubblica (19 de março de 2026); estudos do National Institute of Economic and Social Research e Goldman Sachs.

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