Menores online: Ruotolo (S&D) defende proteger sem privar os benefícios da Internet
Ruotolo pede proteger menores online sem impedir benefícios da Internet; exige responsabilidade das plataformas e regras comuns na UE.
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Menores online: Ruotolo (S&D) defende proteger sem privar os benefícios da Internet
Por Marco Severini — Em declaração à imprensa em Estrasburgo no dia 15 de setembro, o eurodeputado Sandro Ruotolo (S&D), eleito pelo Partito Democratico, traçou com clareza dois objetivos complementares: proteger as crianças e os adolescentes nas plataformas digitais, sem, contudo, privá‑los dos benefícios que a Internet oferece.
O pronunciamento de Ruotolo ocorre na véspera de uma sessão plenária decisiva, quando os deputados cobrarão das redes sociais a proibição de práticas intencionalmente viciantes e medidas para atenuar o chamado design persuasivo. No mesmo dia, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e a vice‑presidente executiva responsável pela soberania tecnológica, segurança e democracia, Henna Virkkunen, apresentarão a proposta conhecida como a «lei da UE para as crianças».
Na qualidade de relator do relatório sobre o impacto das redes sociais e dos ambientes digitais na juventude, produzido pela comissão de Cultura do Parlamento Europeu, Ruotolo entregou uma fotografia política e social que revela uma União fragmentada. "Os Estados‑membros já estão a intervir", disse, mas advertiu que não é aceitável viver com "27 idades mínimas, 27 sistemas de verificação, 27 regras diferentes". Essa fragmentação fragiliza os alicerces de uma resposta comum e eficaz.
O cerne da proposta defendida pelo deputado é deslocar a responsabilidade principal das famílias e das escolas para as próprias plataformas: "elas são as primeiras responsáveis pela segurança do ambiente que construíram". Em linguagem de estratégia, Ruotolo pede um movimento decisivo no tabuleiro: cortar os mecanismos que transformam a atenção dos jovens em mercadoria.
Entre as prioridades estão a reformulação dos sistemas de recomendação para que não empurrem automaticamente um menor rumo a conteúdos cada vez mais extremos, e medidas concretas para proteger contra adescamento, cyberbullying e formas sutis de manipulação Psicossocial — o que o relator descreve como "futilidade manipulativa". A ênfase recai sobre a obrigação das plataformas em promover ambientes intrinsicamente seguros, em vez de deixar a carga principal sobre famílias e docentes.
Sobre limites etários para o uso de redes sociais, Ruotolo defende cautela técnica: aguardar as conclusões dos peritos da Comissão Europeia para que "a ciência" formule recomendações fundamentadas. Ainda assim, sublinha que "a política deve assumir a responsabilidade de decidir" — um lembrete de que a tectônica de poder exige escolhas explícitas quando estão em jogo direitos e saúde pública.
Os números apresentados não são triviais: jovens entre 11 e 14 anos chegam a passar até 9 horas diárias diante de um ecrã. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de um em cada dez adolescentes apresenta um uso problemático das redes sociais com sintomas comparáveis a dependência. Além disso, o relatório chama atenção para sinais já detectados entre 2023 e 2025 sobre o papel da inteligência artificial na amplificação de conteúdos nocivos, uma variável que exige salvaguardas técnicas e legais.
Ruotolo recordou a promessa da presidente von der Leyen, feita em 13 de julho, de apresentar propostas concretas após o verão. "Esperamos um sinal político forte", afirmou — porque a decisão europeia terá impacto sobre milhões de crianças e adolescentes e, em última análise, sobre o modelo de sociedade que a União escolhe cultivar. Em termos práticos e simbólicos, trata‑se de um redesenho de fronteiras invisíveis: entre proteção e liberdade de acesso, entre inovação e salvaguarda dos direitos.
Como voz que privilegia a estabilidade das relações de poder, concluo que a iniciativa exige uma arquitetura normativa robusta, que combine verificação técnica, responsabilidade empresarial e supervisão política. Sem esse tripé, corremos o risco de construir políticas com alicerces frágeis — e no tabuleiro global, fragilidade é convite ao erro.

