Péter Magyar alerta António Costa: Orçamento da UE só será apoiado se beneficiar a Hungria
Magyar diz que a Hungria só aprovará o orçamento da UE se beneficiar o país; Costa busca acordo enquanto fala sobre Rússia e Ucrânia.
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Péter Magyar alerta António Costa: Orçamento da UE só será apoiado se beneficiar a Hungria
Por Marco Severini — Em encontro reservado na noite de quarta-feira, o primeiro-ministro húngaro Péter Magyar reuniu-se a portas fechadas com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, para tratar sobretudo do futuro financeiro da União: o próximo ciclo do orçamento plurianual da UE, que entrará em vigor em 2028. A viagem de Costa pelos Estados-membros — que incluiu, no mesmo dia, conversas em Luxemburgo e Zagreb — é parte de um périplo diplomático destinado a aproximar posições e tentar desbloquear um acordo político sobre as linhas mestras das despesas antes do final do ano.
Segundo as declarações posteriores do gabinete de Magyar, as divergências entre os Estados-membros permanecem profundas: enquanto alguns países propõem um aumento do envelope financeiro, outros advogam cortes; há ainda um debate aceso sobre a redistribuição dos fundos entre os diferentes capítulos orçamentais. Numa abordagem típica de quem vê a geopolítica como um tabuleiro, o primeiro-ministro húngaro sublinhou que aceitará o quadro orçamental apenas se este responder aos interesses dos cidadãos e das empresas da Hungria.
Em matéria de alargamento, Magyar foi claro: não apoia um procedimento acelerado para qualquer um dos países candidatos. Acrescentou que aguarda uma solução rápida relativa à suspensão da sanção equivalente a um milhão de euros por dia imposta ao governo anterior de Budapeste por medidas na gestão da migração. Afirmou ainda que, após os episódios ocorridos este verão na enclave espanhola de Ceuta, o governo húngaro manterá o quadro normativo e as barreiras físicas necessárias para travar a migração irregular.
"A Hungria continuará a defender as fronteiras comuns da União Europeia, e esperamos que esse esforço seja reconhecido ao nível europeu", declarou Magyar num post divulgado no Facebook após a reunião. As principais posições foram confirmadas pela ministra dos Negócios Estrangeiros, Anita Orbán, presente nos contactos.
Ao contrário das paragens em Luxemburgo e Zagreb, em Budapeste não foi realizada conferência de imprensa pública. O silêncio comunicado, na prática, reflete tanto o carácter reservado do encontro quanto a intensidade do itinerário de Costa — três capitais num único dia — e o encerramento das conversações já perto da madrugada.
Em Luxemburgo, Costa lançou uma mensagem de tom estratégico: a União está a enviar um sinal muito claro à Rússia, pedindo o fim da guerra contra a Ucrânia. Numa declaração conjunta com o primeiro-ministro luxemburguês Luc Frieden, Costa rejeitou a escalada como caminho e enfatizou que a paz exige um cessar-fogo e a disponibilidade de Moscovo para negociações credíveis. Recordou, com a gravidade de quem traça linhas históricas no mapa, que o conflito já perdura por mais tempo do que a Primeira Guerra Mundial. Reforçou ainda que ameaças ou ataques híbridos não alterarão a posição unida da União.
O quadro delineado em Budapeste é, por essência, um jogo de equilíbrios: cada movimento no tabuleiro orçamental europeu tem implicações para as alianças internas, as políticas de fronteira e a postura comum face aos atores externos. Resta saber se as conversas de corredor e os contactos em cadência militar de António Costa conseguirão, antes do fim do ano, transformar posições fragmentadas em compromissos coletivos que mantenham coesão e eficácia estratégica para a União.

