Pela primeira vez, todos os aliados da OTAN gastam mais de 2% do PIB em defesa — Relatório 2025

Relatório 2025: pela primeira vez todos os aliados da OTAN investem mais de 2% do PIB em defesa; Itália chega a 2,01% com aumento de 33% em um ano.

Pela primeira vez, todos os aliados da OTAN gastam mais de 2% do PIB em defesa — Relatório 2025

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Pela primeira vez, todos os aliados da OTAN gastam mais de 2% do PIB em defesa — Relatório 2025

Bruxelas — Em um movimento que redesenha, ainda que discretamente, parte do tabuleiro estratégico euro-atlântico, o Relatório Anual 2025 apresentado pelo secretário-geral Mark Rutte registra que, pelo primeiro ano desde a meta de 2014, todos os aliados da OTAN alcançaram o patamar mínimo de investimento de 2% do PIB em defesa.

O documento descreve um aumento substancial dos recursos destinados à segurança colectiva: as despesas combinadas da Europa e do Canadá cresceram cerca de 20% em 2025 face a 2024, enquanto o conjunto da Aliança atinge 2,77% do PIB agregado — ante 2,65% no ano anterior. Excluindo a contribuição dos Estados Unidos, Europa e Canadá somam 2,33% do PIB.

As estatísticas nacionais confirmam essa tendência transformadora. No caso da Itália, o relatório aponta que em 2025 foram gastos 45,325 bilhões de euros, o que corresponde a 2,01% do PIB. Trata-se de um salto de 32,97% em relação a 2024, quando o desembolso havia sido de 33,420 bilhões (1,52% do PIB), e de um incremento de quase 98% se comparado a 2014, quando o gasto foi de 18,427 bilhões (1,13% do PIB).

Do outro lado do espectro, os Estados Unidos mantêm uma participação elevada, com uma despesa correspondente a 3,19% do seu PIB, mas registam uma ligeira retração de 1,38% em termos de variação anual. No agregado, portanto, a Aliança apresenta um reforço relevante dos alicerces financeiros da defesa, resultado de um movimento decidido especialmente por capitais europeus e Ottawa.

Na conferência de imprensa, Mark Rutte sublinhou que os investimentos são “cruciais” para enfrentar ameaças persistentes e complexas, apontando a Rússia como a mais significativa e direta para a segurança na área euro-atlântica. “Todos os 32 aliados concordam sobre o carácter prioritário desse risco e estão empenhados em assegurar a dissuasão e a defesa colectiva necessárias”, afirmou o secretário-geral, numa intervenção que, como é habitual em diplomacia prudente, procurou consolidar o vínculo transatlântico como eixo de estabilidade.

Questionado sobre preocupações relacionadas com comunicações sensíveis entre aliados e o Kremlin, Rutte adotou tom moderador, enfatizando o imperativo de manter coesão e confiança institucional. A mensagem foi clara: a tectônica de poder que sustenta a Aliança exige tanto investimento militar quanto robustez política e operacional.

Do ponto de vista estratégico, este avanço representa mais do que números em gráficos: é um movimento decisivo no tabuleiro, em que aliados europeus e canadenses, ao aumentarem o seu peso relativo, procuram reduzir assimetrias e reforçar — em termos materiais e simbólicos — a capacidade colectiva de dissuasão. A tarefa, no entanto, permanece incompleta: alcançar uma arquitectura de segurança estável requer que os aumentos orçamentários se traduzam em capacidades reais, interoperabilidade e formação continuada.

Em síntese, o Relatório 2025 confirma uma mudança de ritmo na política de defesa da Aliança: mais recursos, maior responsabilidade europeia, e um compromisso renovado com a dissuasão colectiva, enquanto os alicerces da diplomacia continuam a ser testados por desafios estratégicos e operacionais.