Ucrânia alerta sobre crise orçamentária: ministro pede 'soluções criativas' aos aliados diante de novo inverno de ataques

Ministro das Finanças ucraniano alerta para déficit e pede soluções criativas aos aliados diante de novo inverno de ataques russos.

Ucrânia alerta sobre crise orçamentária: ministro pede 'soluções criativas' aos aliados diante de novo inverno de ataques

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Ucrânia alerta sobre crise orçamentária: ministro pede 'soluções criativas' aos aliados diante de novo inverno de ataques

Por Marco Severini — Em entrevista estratégica à Euronews, o ministro das Finanças da Ucrânia, Sergii Marchenko, traçou um cenário financeiro austero e advertiu que o país poderá ser forçado a reduzir despesas não militares caso não obtenha financiamentos adicionais dos aliados. A mensagem é direta: a tectônica de poder no tabuleiro europeu exige respostas inovadoras para evitar que a economia ucraniana volte a um ponto crítico.

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Marchenko, no cargo desde 2020, afirmou que a nação não enfrentava uma crise orçamentária desse calibre desde o início da invasão em larga escala de 2022. Com recursos direcionados prioritariamente às necessidades bélicas e à aquisição de armamentos, outras rubricas fundamentais do orçamento correm o risco de sofrer cortes ou atrasos. "Registramos já alguns problemas de liquidez e prevemos carências no nosso orçamento", disse o ministro em Europe Today. "Isso significa que poderemos ter de adiar alguns pagamentos não ligados à guerra por falta de liquidez. Haverá consequências."

Segundo Marchenko, os credores externos não seriam diretamente afetados, mas o impacto será sentido localmente, sobretudo em obras de construção de abrigos e de infraestrutura — itens que continuam "ainda importantes" enquanto o país se prepara para mais um inverno de ataques. "Não nos encontrávamos numa situação assim desde 2022; naquela altura sofremos muito com a escassez de liquidez. Neste momento estamos demasiadamente próximos do mesmo cenário", alertou.

O ministro descreveu um aumento brusco da intensidade dos ataques russos em agosto e revelou que trabalha num novo orçamento baseado na hipótese de que a guerra perdurará até 2027. O montante estimado necessário para financiar essa projeção é de 32,6 bilhões de euros, cifra também mencionada pelo Fundo Monetário Internacional — cujos técnicos deslocaram-se a Kiev esta semana.

No plano diplomático-financeiro, Marchenko conclamou os ministros europeus a pensar fora dos esquemas e a considerar o plano ucraniano para mobilizar cerca de 300 bilhões de dólares em bens russos congelados. Essa mesma proposta fora rejeitada pelos ministros da UE em dezembro passado, quando prevaleceram divergências que levaram a um acordo alternativo: um empréstimo conjunto de 90 bilhões de euros. Recentemente, um grupo de países liderado pela Suécia reavivou a ideia, argumentando que os custos do esforço de defesa devem ser repartidos de modo mais equitativo entre contribuintes europeus — sobretudo desde a ascensão do governo Trump, quando a UE passou a arcar, em larga medida, com a fatura.

Como analista, vejo nesta exigência de Marchenko um movimento calculado no tabuleiro: a Ucrânia oferece alternativas que forçam os aliados a reavaliar as suas linhas de apoio, enquanto tenta preservar os alicerces essenciais da resiliência civil. A chamada por soluções criativas não é mero apelo retórico; é uma proposta de redirecionamento das peças financeiras num momento em que as linhas logísticas e as infraestruturas estão sob crescente pressão.

O inverno que se aproxima configura um teste estratégico — não apenas militar, mas também orçamentário e diplomático. A capacidade de moldar respostas fiscais inovadoras e coordenadas entre aliados será decisiva para impedir um redesenho de fronteiras invisíveis no equilíbrio de poderes da região.

Em resumo, a Ucrânia está a jogar uma partida de longo prazo. O próximo lance dos aliados europeus poderá determinar se o país atravessa o inverno com integridade institucional ou se será forçado a sacrificar componentes essenciais do seu tecido social em nome da sobrevivência militar.

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