UE forma mais mulheres, mas a hegemonia nas STEM permanece masculina
Maioria feminina entre os novos diplomados da UE em 2024, mas homens ainda dominam as áreas STEM e ICT, aponta Eurostat.
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UE forma mais mulheres, mas a hegemonia nas STEM permanece masculina
Bruxelas — Em um movimento que redesenha silenciosamente as linhas demográficas do ensino superior europeu, a União Europeia registrou em 2024 um total de 4,5 milhões de novos laureados, dos quais 2,6 milhões eram mulheres. Os dados, publicados pelo Eurostat, confirmam uma tendência persistente de feminização das universidades, que já se fazia notar em 2022, quando as laureadas atingiram aproximadamente 2,5 milhões contra 1,8 milhão de homens.
Mas a geografia dos diplomas revela um mapa de segregação: enquanto as mulheres concentram-se em massa nas áreas ligadas à educação — onde chegam a ser quatro vezes mais numerosas que os homens —, o setor da tecnologia inverte a disposição das peças no tabuleiro. Nas TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (ICT), os laureados do sexo masculino são 3,7 vezes superiores em número às suas colegas.
Esta discrepância não é um acidente estatístico; é um dos eixos da desigualdade de gênero que continua a desafiar as políticas públicas europeias direcionadas às disciplinas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Em termos de emprego, contudo, há sinais de alteração da tectônica: o Eurostat aponta uma trajetória ascendente no número de mulheres empregadas na ciência e engenharia, que subiu de 3,4 milhões em 2008 para 5,2 milhões em 2014, alcançando 7,9 milhões em 2024 — o que equivale a 40,5% do total de ocupados nesses setores.
Do ponto de vista estratégico, este é um jogo de ganhos e defasagens. A vantagem feminina na formação universal constitui um alicerce para mudanças sociais e econômicas profundas, mas a persistência da sub-representação nas áreas tecnológicas sinaliza fricções estruturais: redes de influência, trajetórias profissionais diferenciadas desde o ensino básico, estereótipos de disciplina e políticas de fomento insuficientes onde mais são necessárias.
Interpretando os números como um mapa de possibilidades, fica claro que iniciativas públicas e privadas devem agir sobre múltiplos fronts — desde a formação inicial até a retenção no mercado de trabalho — para que a presença feminina não se traduza apenas em volume de diplomas, mas em real poder de decisão e inovação nos setores pivotais da economia digital.
Em linguagem de diplomacia e estratégia, trata-se de um movimento decisivo no tabuleiro: consolidar a vantagem conquistada nas universidades e convertê-la em influência efetiva nas linhas de frente da inovação. Sem esse redesenho de fronteiras invisíveis, a União Europeia corre o risco de manter alicerces frágeis na sua ambição tecnológica e de competitividade.
Fonte: Eurostat.