Comboios de alta velocidade entre Londres e a Europa poderão partir a cada 15 minutos até 2030
Serviços de comboios de alta velocidade entre Londres e Europa poderão partir a cada 15 minutos até 2030, com novas empresas e trens em circulação.
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Comboios de alta velocidade entre Londres e a Europa poderão partir a cada 15 minutos até 2030
Apanhar um comboio de alta velocidade de Londres para a Europa continental poderá em breve tornar-se tão fácil quanto decidir para onde correr com um cappuccino na mão. Uma análise recente do Politico (fonte em inglês) sugere que, até ao final da década, os serviços entre Londres St Pancras e cidades como Paris, Bruxelas e Amesterdão poderão partir com uma frequência aproximada de um trem a cada 15 minutos.
Atualmente, a Eurostar opera cerca de 25 viagens de ida e volta por dia. Segundo a previsão citada, esse número poderá subir para 55 viagens diárias até ao final dos anos 2020 — o equivalente a cerca de quatro partidas por hora — um crescimento que redesenha a mobilidade entre o Reino Unido e o continente como uma doce promessa de Dolce Far Niente sobre os trilhos.
Desde a sua inauguração em 1994, o Eurotúnel tem circulado abaixo da capacidade potencial, embora rumores e interesses de outros operadores já circulem há anos. Agora, as peças parecem alinhar-se para que essa capacidade seja explorada: na semana passada, a Virgin Trains recebeu autorização do Office for Rail and Road (ORR) para operar na linha, ainda que, por enquanto, não detenha acesso formal ao próprio túnel.
Martin Jones, diretor-adjunto do ORR, descreveu o passo como “importante” para trazer mais concorrência e crescimento ao mercado internacional ferroviário. Se obtiver acesso total, a Virgin pretende iniciar serviços até 2030. A italiana Trenitalia também se prepara: planeja cerca de 10 viagens de ida e volta diárias a partir de 2029 e encomendou 19 novos comboios de alta velocidade num investimento avaliado em 2 mil milhões de euros — alguns desses trens deverão ligar diretamente a Londres.
Houve interesse antigo também por parte da alemã Deutsche Bahn, ainda que projetos anteriores tenham arrefecido após o Brexit; hoje, no entanto, olhares e negociações podem voltar a aquecer. As barreiras a ultrapassar são reais: operadores precisam de autorizações distintas em cada país por onde circulam, acesso ao Eurotúnel e espaço em depósitos no Reino Unido. No ano passado, o ORR atribuiu os últimos lugares no depósito de Temple Mills — historicamente usado pela Eurostar — à Virgin, um sinal claro de que o tabuleiro competitivo está em movimento.
Startups e novos entrantes não ficam de fora: a Gemini Trains quer operar 11 comboios por dia até 2030 e estuda abrir um depósito fora de Londres, embora ainda careça de material circulante e de direitos de acesso. Enquanto isso, a Eurostar prepara-se para o futuro encomendando até 50 novos comboios, com entregas previstas para o início da década de 2030, permitindo ampliar destinos — já se fala em Frankfurt e Genebra — e manter-se competitiva num mercado que promete ser mais vibrante.
Andiamo: este não é apenas um reajuste logístico, é uma viagem de sensações. Imagine a luz dourada ao atravessar o Canal da Mancha, o perfume dos vinhedos que anunciam a França, a textura do tempo nas paredes históricas das cidades europeias — agora com partidas mais frequentes, a Europa aproxima-se de maneira mais fluida. Para o viajante, é a promessa de descobrir segredos locais sem as amarras de um itinerário rígido, saborear a história como quem prova um bom vinho, e reescrever planos com a liberdade de quem escolhe partir quando o coração mandar.

