As ‘coolcations’ estão redesenhando o mapa do turismo? Uma viagem sensorial pelos refúgios mais frescos

As 'coolcations' — férias em climas amenos — ganham força com turistas fugindo das ondas de calor. Será mudança duradoura no mapa do turismo?

As ‘coolcations’ estão redesenhando o mapa do turismo? Uma viagem sensorial pelos refúgios mais frescos

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As ‘coolcations’ estão redesenhando o mapa do turismo? Uma viagem sensorial pelos refúgios mais frescos

Por Erica Santini — Ciao, viajante. Neste verão marcado por vagas de calor extremas, muitos turistas têm procurado refúgios mais frescos longe dos destinos mediterrâneos de sempre. Mas será que isso é apenas um suspiro sazonal ou o início de uma verdadeira mudança no mercado do turismo?

A Europa registou temperaturas que se aproximaram dos 40 ºC em várias regiões, e dessa fornalha nasceu a tendência das coolcations — férias onde a estrela é o clima ameno, a brisa que acaricia, a sombra generosa de uma cidade menos lotada. “Este ano, os visitantes têm-me dito que fugiram ao calor nas regiões do sul da Europa”, conta Terje Viblom Pedersen, guia que organiza visitas no sudeste da Suécia. Há um encanto quase poético em ver rostos surpreendidos ao sentir máximas diurnas abaixo dos 30 ºC, a luz dourada das tardes e o perfume salgado das brisas marítimas.

Daniel e Florence Gastaldi, um casal francês recém-reformado de Marselha, confessam: “É bom ter escapado à vaga de calor. Estamos satisfeitos por termos encontrado temperaturas mais amenas.” Em Estocolmo, na Cidade Velha, a experiência de passear sem multidões tornou-se quase um ritual de Dolce Far Niente — saborear a história sem pressa.

Dados de mercado confirmam o que sentimos nas ruas. Estudos da Mabrian e da Data Appeal identificaram um interesse crescente por destinos do norte da Europa, como o sul da Finlândia e Vestland, na Noruega. Também aparecem nas preferências zonas setentrionais de países tradicionalmente do sul: a Galiza, na Espanha; Trentino-Alto Ádige, na Itália; e até a Normandia e a Alsácia, em França.

Na edição francesa do Hotels.com, as pesquisas por quartos em Copenhaga dispararam 246% desde a primeira onda de calor que atingiu França em maio; Dublin subiu 151%. Jonna Robertson, consultora na empresa nova-iorquina Fora Travel e fundadora da Coolcation Adventures, observa o fenómeno também nos Estados Unidos: “Oslo registou um crescimento de 154% nas reservas face ao ano anterior, Helsínquia 124%.” Números que deixam claro: os viajantes estão a explorar alternativas além dos clássicos de verão.

Em França, há quem note a procura por estâncias de montanha durante a estação quente. Jean-Pascal Chopard, do organismo de turismo do Jura, explica que a maior altitude traz noites e fins de dia mais frescos, tornando as estadias mais confortáveis — uma verdade sensorial que fala ao corpo cansado pelo calor.

No entanto, pergunto-me, e pergunto a você: será isto uma mudança duradoura? Os especialistas lembram que as escolhas dependem de muitos fatores — preço, acessibilidade, oferta cultural, infraestruturas e tradições locais. O sul da Europa mantém vantagens económicas que o tornam ainda atrativo, sobretudo para famílias e quem busca férias mais baratas.

O desfecho talvez esteja entre dois poemas: um de adaptação, onde os mapas turísticos se reequilibram com novas rotas e experiências sensoriais; e outro de retorno, onde o clima e o custo ditam a preferência das massas. Enquanto isso, convido você a sonhar com um passeio onde a brisa é protagonista, onde se pode saborear a história e sentir a textura do tempo nas paredes de uma cidade menos conhecida. Andiamo — há sempre um recanto fresco à espera.

Nota: dados citados incluem percentuais de aumento nas pesquisas e reservas segundo Hotels.com, Mabrian, Data Appeal, e observações de consultores do setor.