Giuseppe Penone leva suas árvores de bronze à Gagosian em Nova York: ‘Riflesso del Bronzo’

Giuseppe Penone inaugura 'Riflesso del Bronzo' na Gagosian NY: troncos monumentais em bronze trazem a memória dos bosques do Piemonte à cidade.

Giuseppe Penone leva suas árvores de bronze à Gagosian em Nova York: ‘Riflesso del Bronzo’

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Giuseppe Penone leva suas árvores de bronze à Gagosian em Nova York: ‘Riflesso del Bronzo’

Ciao, viajante dos sentidos. Em plena Manhattan, a poesia da madeira transformada em metal desembarca com força e delicadeza: Giuseppe Penone traz a Nova York sua grande instalação Riflesso del Bronzo, em exibição na galeria Gagosian de 21 de abril a 2 de julho de 2026. Curada por Adam Weinberg, ex-diretor do Whitney, a mostra é um convite a um passeio entre bosques piemonteses dentro de um antigo depósito para caminhões — uma experiência que mistura memória, natureza e ofício.

As esculturas monumentais do artista de Garessio, hoje com 79 anos e figura central do movimento Arte Povera, atravessaram o Atlântico depois de serem fundidas nas oficinas Del Chiaro em Pietrasanta. São troncos imensos, árvores fora do tempo que guardam a textura da casca e o gesto do crescimento, petrificadas no bronze com uma presença que nos faz ouvir o sussurro das folhas e sentir o perfume da terra — sensações que Penone traduz em matéria.

A proposta expositiva, pensada por Weinberg, transforma os três naves do espaço em um cenário museal, onde a escala das obras desafia o espaço urbano. Montar essas peças em Nova York não foi simples: historicamente, esculturas dessa envergadura encontraram abrigo em instituições com jardins amplos, como Versailles ou a Reggia di Venaria, ou ainda em salas monumentais do Rijksmuseum e do Centre Pompidou. A travessia até Manhattan evidencia uma mudança interessante no panorama cultural: custos e logística que hoje tornam difícil para muitos museus transportar obras tão grandiosas empurram as galerias a assumir um papel cada vez mais protagonista na circulação de exposições de grande escala.

Penone já dialogou com o público americano em ocasiões anteriores — expôs na Frick Collection em 2022 e manteve uma relação especial com o Philadelphia Museum of Art, ao qual doou centenas de desenhos em 2020. Em Riflesso del Bronzo, entretanto, a sensação é outra: em vez de um recorte institucional, temos uma caminhada íntima pela memória botânica do artista, uma narrativa que convoca os sentidos e a contemplação.

Como curadora de experiências, eu, Erica Santini, convido você a olhar essas árvores não apenas como esculturas, mas como portas — portais que convidam ao Dolce Far Niente e à descoberta. Andiamo: caminhe devagar entre os troncos, toque (com o olhar) as rugas do bronze, ouça a história do povo piemontês que moldou madeira em bronze nas oficinas de Pietrasanta. É uma exposição que sabe ser silêncio e estrondo ao mesmo tempo, onde a luz acende a pátina e o tempo parece sedoso ao toque.

Para quem ama arte que cheira a terra e a memória, Riflesso del Bronzo na Gagosian é um segredo generoso no mapa cultural de Nova York — uma dessas experiências que nos fazem recompor o itinerário da viagem interna. Dolce far niente, mas com o coração em movimento.