Il codice della Passione: a Pietà de Bellini retorna a Rimini em diálogo com Mantegna
Em Rimini, a Pietà de Bellini reaparece restaurada e dialoga com Mantegna na mostra 'Il codice della Passione' no Museo Luigi Tonini.
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Il codice della Passione: a Pietà de Bellini retorna a Rimini em diálogo com Mantegna
Ciao, viajante dos sentidos — sou Erica Santini, sua curadora de pequenas epifanias italianas. Em uma tarde dourada de cultura, chega a Rimini uma obra que respira história: a Pietà riminese de Giovanni Bellini, agora devolvida à cidade após um longo período em Nova York, onde esteve na Morgan Library and Museum.
A peça, considerada um dos grandes tesouros do Renascimento europeu, será a protagonista da mostra-dossiê Il codice della Passione. Bellini e Mantegna allo specchio, organizada pelo Comune di Rimini e pelos Musei Comunali. A exposição abre de 18 de julho a 10 de janeiro no Museo della Città Luigi Tonini, convidando o público a um dueto visual: a Pietà enfrenta-se, em diálogo silencioso, com o San Sebastiano de Andrea Mantegna, vindo da Galleria Franchetti em Ca' d'Oro — um encontro que já foi experimentado em Veneza e aqui encontra nova luz.
O retorno da obra à Romagna tem um caráter de renascimento íntimo. O restauro foi promovido pela Fondazione Venetian Heritage e executado pela equipe da CBC (Conservazione Beni Culturali), em acordo com a Soprintendenza Archeologia, Belle Arti e Paesaggio per le province di Ravenna, Forlì-Cesena e Rimini. O trabalho conservou, com respeito e poesia técnica, as marcas do tempo — as consumações, as quedas de cor e as lacunas permanecem visíveis a um olhar atento —, mas devolveu à tavola a potência da luz e do colorido, como se o quadro tivesse recuperado a textura do seu próprio tempo.
Ao aproximar-se da Pietà, sente-se a materialidade do silêncio sagrado: o perfume imaginário da igreja, a textura do tempo nas camadas da tinta, a emoção contida nos olhos das figuras. É uma experiência que pede pausa, um convite ao Dolce Far Niente contemplativo — e também uma lição de restauro que respeita a história, preservando os vestígios e oferecendo, simultaneamente, uma nova integridade visual.
A exposição funciona como um pequeno espelho entre mestres: Bellini e Mantegna se observam, contrapõem linguagens e sensibilidades, e nos permitem navegar por variações da mesma paixão pictórica. Para quem ama arte, é um roteiro de descoberta — um instante para saborear a história, tocar com os olhos a leveza do gesto, ouvir a quietude das superfícies repintadas e sentir a luz que agora retorna à obra.
Andiamo: se puder, visite o Museo della Città Luigi Tonini nos primeiros dias da mostra. Há nesses encontros algo de íntimo e urgente, uma sorte de segredo local que se revela aos que chegam com curiosidade e lenteza. E se estiver em Rimini por prazer, deixe-se guiar também pelos contornos da cidade: a luz do Adriático, as fachadas que guardam memórias e, claro, o prazer de um aperitivo ao entardecer, celebrando o reencontro entre cor, tempo e memória.
La mostra, que permanece em cartaz até janeiro, é uma oportunidade para redescobrir o Renascimento com olhos renovados — como quem lê um códice de paixões, página a página, pincelada a pincelada.