Jesolo: onde a Laguna se transforma em arte — 'Tra terra e acqua' no JMuseo
Exposição em Jesolo: 100 obras no JMuseo mostram a Laguna de Veneza e as Valli di Jesolo entre arte, ciência e conservação.
RESUMO ✦
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Jesolo: onde a Laguna se transforma em arte — 'Tra terra e acqua' no JMuseo
Ciao, viajante sensorial — sou Erica Santini, sua curadora de impressões e segredos do Bel Paese. Convido você a passear comigo pelas marés da memória: em Jesolo, a água encontra o pincel e a natureza conta suas histórias. De 12 de maio a 10 de janeiro, o JMuseo acolhe a mostra 'Tra terra e acqua. La Laguna de Veneza e as Valli di Jesolo', uma narrativa visual que saboreia a luz, as texturas e o silêncio das zonas úmidas.
São cerca de cem obras — entre pinturas, aquarelas e taccuini di viaggio — assinadas por seis artistas naturalistas do coletivo Ars et Natura: Concetta Flore, Federico Gemma, Stefano Maugeri, Graziano Ottaviani, Marco Preziosi e Alessandro Troisi. Guiando o projeto com olhar de cientista e coração de observador, o ornitólogo e curador Fernando Spina costura ciência e estética, trazendo ao público uma visão contemporânea da natureza que é, ao mesmo tempo, conhecimento e compromisso.
As peças nasceram da experiência direta no campo: cadernos de viagem onde se anotam os sopros do vento, estudos de luz ao entardecer, observações do comportamento das aves e esboços feitos à beira da água. Esse método — quase como um ritual de presença — devolve às telas e páginas a complexidade e a fragilidade dos panoramas lagunares. Aqui, o visitante é convidado a degustar a história do lugar, a sentir o perfume dos juncos e a escutar, por entre as imagens, a urgência da conservação.
As Valli di Jesolo e a Laguna de Veneza não são apenas cenário: são ecossistemas vitais que regulam o ciclo global da água, purificam, armazenam e protegem contra inundações. A mostra propõe uma reflexão sobre a relação entre homem e ambiente, lembrando que a arte pode ser ponte entre a sensibilidade estética e a ciência aplicada à conservação.
Ao percorrer as salas do JMuseo, imagine-se navegando por canais de silêncio, onde a luz dourada incide sobre as penas das aves e a textura do tempo se revela nas paredes salobras. É uma experiência que ativa os cinco sentidos — a visão que capta a cor, o tato evocado pela matéria, o olfato lembrado pelo ar marinho — e que nos chama a um Dolce Far Niente reflexivo: apreciar sem esquecer, contemplar com responsabilidade.
Andiamo: esta exposição é um convite ao encontro entre arte e natureza, uma ode à paciência do observador e ao trabalho coletivo que transforma estudo em narrativa. Para quem ama paisagens que respiram história, para quem se comove com a beleza que pede cuidado, 'Tra terra e acqua' é uma parada obrigatória no roteiro de quem busca os hidden gems da Veneza mais íntima. Reserve seu tempo, permita-se a imersão e traga seus sentidos.