Koen Vanmechelen chega a Veneza com esculturas que reinventam o lugar do humano
Koen Vanmechelen em Veneza: 40 esculturas no Palazzo Rota Ivancich exploram a hibridação entre seres vivos e materiais inanimados.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Koen Vanmechelen chega a Veneza com esculturas que reinventam o lugar do humano
Sou Erica Santini, e convido você para uma travessia sensorial por uma exposição que respira como um organismo vivo. Em maio, a cidade aquática se prepara para acolher Koen Vanmechelen, o artista belga que propõe uma arte que ultrapassa o humano e celebra a comunhão entre o animado e o inanimado.
De 9 de maio a 22 de novembro de 2026, nas históricas salas do Palazzo Rota Ivancich, e em diálogo com a 61ª Esposizione Internazionale d'Arte — Biennale di Venezia, estreia a primeira mostra pessoal inteiramente dedicada à escultura de Vanmechelen. Curada por James Putnam, a exposição apresenta quarenta obras novas — esculturas e instalações criadas especialmente para este cenário — que compõem uma paisagem onde espécies, objetos e materiais se entrelaçam.
O título, We Thought We Were Alone, funciona como um sussurro filosófico: por séculos nos imaginamos o centro do mundo. Nesta mostra, entretanto, somos convidados a mudar a perspectiva. Os animais, longe de serem meras metáforas ou relíquias de um passado domesticado, surgem como mensageiros. No olhar de cada criatura, reconhecemos um espelho que nos interroga sobre o custo das nossas escolhas e sobre a urgência de reinventar laços.
Sob a luz que parece dourar as paredes antigas do palazzo, as obras revelam texturas que lembram pele, cerâmica, metal e plumas — uma paleta tátil que ativa os sentidos. Andando por entre as peças, é possível quase sentir o perfume dos vinhedos, ouvir um sussurro que é ao mesmo tempo orgânico e mecânico, e tocar, com os olhos, a texture del tempo nas superfícies. É aquilo que eu chamo de Hospitalidade Sofisticada: a exposição recebe o público como uma casa antiga que guarda memórias e segredos.
Vanmechelen trabalha há anos com a ideia de hibridismo e interdependência. Aqui, suas esculturas não apenas representam; elas comunicam processos vivos, reproduções, hibridações e as marcas deixadas pelas interações entre seres. O resultado é uma narrativa visual que propõe renascimento e transformação — um verdadeiro convite ao Dolce Far Niente reflexivo: parar para escutar o mundo que pulsa além do próprio reflexo.
Para quem chega a Veneza com olhos de descobridor, a mostra oferece momentos de surpresa íntima: pequenos “hidden gems” onde uma peça discreta pode gerar um encontro emocional tão forte quanto uma grande instalação. Andiamo: permita-se ser atravessado por essa experiência, sentir a textura do tempo, saborear a história e regressar para casa com um novo modo de olhar o mundo.