No Met, 'Costume Art' coloca o corpo em cena entre luxo e a polêmica dos Bezos

No Met, 'Costume Art' celebra o corpo em 400 peças entre moda e arte, com patrocínio dos Bezos e polêmica política. Abertura 10/05/2026.

No Met, 'Costume Art' coloca o corpo em cena entre luxo e a polêmica dos Bezos

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No Met, 'Costume Art' coloca o corpo em cena entre luxo e a polêmica dos Bezos

NEW YORK, 04 de maio de 2026 — Com a luz dourada que atravessa as janelas do Met e o perfume distante de tecidos antigos, a nova mostra do Costume Institute, intitulada Costume Art, chega como um convite sensorial a saborear a história do corpo humano na moda. Apresentada à imprensa hoje, a exposição abre ao público em 10 de maio e promete ser, nas palavras do curador Andrew Bolton, uma declaração: "o corpo — nu ou vestido — é o fio condutor que atravessa todo o museu".

Se no plano estético a mostra costura peças do acervo do museu com criações de alta-costura, no plano social ela provoca: a presença do patrocínio dos Bezos — com Lauren Bezos convidada de honra ao lado da tenista Venus Williams — já gerou críticas antes mesmo do corte da fita. As discussões giram em torno dos laços que ligam o magnata do e-commerce Jeff Bezos a círculos políticos e familiares controversos, lançando uma sombra de debate sobre a origem dos recursos que permitem grandes mostras.

Mas, como curadora e contadora de histórias, convido você a olhar para dentro das vitrines e sentir a textura do tempo nas paredes: a exposição percorre, com sensibilidade, diferentes representações do corpo — do ideal clássico e harmônico da Grécia antiga ao corpo gordo, do corpo com deficiência ao corpo em gravidez; do corpo visceral, com veias e sangue, ao corpo que envelhece e ao corpo que morre. São, no total, cerca de 400 peças que dialogam entre si, atravessando séculos e códigos estéticos.

Há nesta narrativa expositiva uma escolha consciente pelo body-positive: uma celebração da multiplicidade das formas, um antídoto à homogeneização dos padrões. Entre cetins, rendas e armaduras de tecido, vislumbramos histórias de cuidado, desejo, vulnerabilidade e poder — uma verdadeira jornada pelos sentidos, como quem prova um vinho e descobre camadas inesperadas.

Ao mesmo tempo, a polêmica sobre os patrocínios relembra que museus são também arenas de poder: quem financia decide, ainda que parcialmente, que vozes serão amplificadas. Costume Art chega, portanto, com essa dupla identidade — festiva e contestada — e nos convida a um exercício de olhar crítico e emocional. Ciao, e andiamo: venha ver, tocar com os olhos e sentir com o pensamento.

Detalhes práticos: abertura ao público em 10 de maio de 2026, com convidados de honra e programação especial no Met. A mostra promete ser a mais deliberadamente inclusiva já realizada pelo instituto na Quinta Avenida, ao menos em intenção e ambição.