Portugueses querem muito viajar em 2026, mas crise do jet fuel pode complicar o verão
82% dos portugueses planejam férias em 2026, mas crise no jet fuel, segurança e inflação podem complicar o verão. Saiba mais sobre orçamentos e destinos.
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Portugueses querem muito viajar em 2026, mas crise do jet fuel pode complicar o verão
Ciao, viajante. Há um desejo coletivo a borbulhar nos cafés e nas mesas de esplanada: os portugueses mantêm uma forte vontade de viajar em 2026, apesar de um cenário internacional carregado de incertezas. Segundo a 25.ª edição do Barómetro Anual de Férias de Verão da Europ Assistance, em parceria com a IPSOS, 82% dos portugueses planeiam fazer férias este ano — um resultado só ultrapassado pelos britânicos, com 84%. Andiamo: o apetite por descobrir continua vivo.
O estudo, que analisou planos de férias em 26 países (11 europeus), mostra que as férias já não são apenas um luxo, mas uma necessidade para o bem-estar e o equilíbrio pessoal. Em Portugal, o orçamento médio para a grande pausa anual subiu 147 euros, fixando-se nos 1.662 euros, um acréscimo de 10% face a 2025. Ainda assim, continuamos abaixo da média europeia de 2.089 euros.
Na tabela europeia dos gastos previstos, Portugal aparece em nono lugar entre os 11 países analisados. A Suíça lidera, com 3.100 euros previstos por pessoa. Globalmente, a Suíça também está no topo, seguida pelos Estados Unidos (3.049 euros) e pela Austrália (3.035 euros).
Quanto aos destinos, os portugueses mostram preferência por explorar o próprio país: 47% optam por viagens nacionais, um conforto que conjuga tradição e o prazer do Dolce Far Niente. As viagens internacionais apresentam um ligeiro recuo — de 43% em 2025 para 42% em 2026. Entre os destinos preferidos no estrangeiro surgem Espanha (21%), Brasil (9%) e Itália (8%) — sim, a nossa querida Itália segue no coração, com o seu perfume de vinhedos e a luz dourada das praças.
No entanto, nem tudo é só sabor: a sombra da crise no jet fuel paira como uma nuvem no horizonte do verão. Embora o estudo destaque sobretudo intenções e orçamentos, operadores e companhias já têm apontado que problemas com abastecimento e preços do combustível podem pressionar voos, horários e tarifas — um alerta que pode transformar planos em improvisos.
A segurança emerge como critério cada vez mais decisivo. Em toda a Europa, 30% dos inquiridos dizem que a segurança pesa na escolha do destino. Em Portugal, preocupações com conflitos armados (70%) e riscos de ataques terroristas (67%) são especialmente elevadas — bem acima das médias europeias (59% e 53%, respetivamente). Há destinos que, por motivos geopolíticos, começam a ser evitados por parte dos viajantes — os Emirados Árabes Unidos e até os Estados Unidos aparecem nas listas de países que alguns preferem contornar.
Se a segurança pesa, o bolso também condiciona: entre os portugueses que não irão viajar, 49% apontam a necessidade de poupar como principal razão. A inflação continua a assombrar as decisões familiares — Portugal é o país europeu onde esse receio é mais pronunciado (90%, mais 5% face a 2025) e onde o aumento de preços mais impacta o orçamento dedicado ao lazer.
Em resumo: há uma fome genuína por viajar e por reconectar-se com ritmos pausados, paisagens e sabores, mas o caminho até as malas fechadas pode encontrar pedras — desde a incerteza no combustível de aviação até a preocupação com segurança e os apertos no orçamento. Como sempre digo — com o coração ítalo-brasileiro e um copo de prosecco à mão — planeje, sonhe, e mantenha alguma flexibilidade: o verão convida a descobertas, e a viagem é tanto sobre o destino quanto sobre a maneira como nos deixamos surpreender pela estrada.