Roberto Ziranu: quando o ferro se transforma em arte e em relato de liberdade

Roberto Ziranu transforma ferro em esculturas-poema em "Oltre l'Infinito": asas, velas e caudas de baleia como metáforas de renascimento e liberdade.

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Roberto Ziranu: quando o ferro se transforma em arte e em relato de liberdade

CAGLIARI, 08 de setembro de 2026, 17:08 — Por Erica Santini, Espresso Italia

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As formas que respiram e contam histórias são feitas de ferro, luz e memória. Em sua mais recente mostra, Oltre l'Infinito, o artista de Orani Roberto Ziranu revela como o trabalho com o metal pode ser também um caminho de cura, uma jornada íntima que se converte em poesia visual. Curada por Efisio Carbone e exibida durante o verão no Search, em Cagliari, a exposição reuniu centenas de visitantes e agora segue para Castelsardo (a partir de 26 de setembro) antes de rumar a Paris no final de outubro.

As esculturas — asas, caudas de baleia, velas — não são apenas formas: são símbolos de renascimento. Ziranu, nascido em 1969, transforma o elemento bruto do ferro em superfícies que parecem respirar, flutuar e contar histórias de liberdade. Depois de ter exposto em várias partes do mundo, o artista também assinou, em maio deste ano, os dois troféus entregues às equipas vencedoras das regatas preliminares da America's Cup em Cagliari, peça que sela a sua relação íntima com o mar e com a náutica.

"Oltre l'Infinito, o meu último projeto, é um percurso, sobretudo um relato", disse Ziranu em entrevista à ANSA. Nasceu num período difícil da sua vida: após 2020 veio um ano de escuridão que o inspirou a olhar para as balene — criaturas do abismo que tocam o fundo para depois emergir e respirar. É dessa imagem que brota a metáfora central da mostra: tocar o fundo para renascer, recuperar o fôlego, voltar à superfície.

Ao aproximarmo-nos das obras, sentimos a textura do tempo nas paredes de ferro, o calor da solda, o eco do trabalho manual; é um convite ao Dolce Far Niente contemplativo, onde cada peça sugere uma travessia. As asas remetem ao desejo antigo de voar, as velas ao impulso de partir, as caudas ao mergulho nos mistérios interiores. Em cada elemento, o artista conserva a memória do gesto — a marca da ferramenta, a curva do martelo — e transforma-a em poesia tangível.

O percurso expositivo, que atraiu um público diversificado durante o verão, confirma a potência narrativa das esculturas de Ziranu: não se trata apenas de contemplar objetos, mas de participar de um relato coletivo de superação e liberdade. A mostra, com curadoria de Efisio Carbone, será apresentada em Castelsardo a partir de 26 de setembro e prepara-se para cruzar fronteiras rumo a Paris no final de outubro — uma pequena tournée que espelha o desejo do artista de que essas histórias alcancem outros horizontes.

Para quem visita, a experiência é sensorial: o perfume metálico do ferro, a luz dourada que acentua as saliências, o silêncio preenchido pelo peso simbólico das peças. Andiamo — deixemo-nos levar por estas formas que nos ajudam a ler novamente a própria vida, a saborear a história que o metal conta quando é trabalhado com coração e memória.

Onde ver: Oltre l'Infinito, Search — Cagliari (exposição de verão). Próximas paradas: Castelsardo (a partir de 26/09) e Paris (final de outubro).

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